Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Akureyri - O primeiro fim de semana

pormenor da rua onde moro actualmente. Pingvallastraeti - Akureyri 
 
 
 
 
Os meus primeiros dias em Akureyri, tem sido de encantamento pela cidade, clima, energia e até pelas pessoas, ao contrário do que aconteceu em Reykjavík. 
Akureyri é uma pequena cidade, situada num fiorde e com aproximadamente 17.000 habitantes (censos de 2007). É a capital do norte, tendo por isso, tudo aquilo que necessitamos, não faltando o hospital, aeroporto, museu de história natural, escola de artes, universidade, jardim botânico e uma orquestra sinfónica (pasme-se!).
Existem, na segunda cidade administrativa da Islândia, diversas galerias e uma actividade cultural digna de registo para uma cidade das suas dimensões.
 
No primeiro fim-de-semana, no Populus Tremula, assisti a um espectáculo que fundia música e tertúlia, ficando a conhecer, numa envolvente e aveludada actuação, Konni (cantor-compositor islandês) secundado por competentes músicos de estúdio. Em simultâneo e intercalado com as músicas, eram declamados textos e poesias de Porvaldur Porsteinsson (presente no sarau cultural).
 
Porvaldur Porsteinsson é artista plástico, poeta e escritor de livros para crianças, com obras traduzidas em vários países da Europa. A saga de Bubu, em diversos capítulos, foi galardoada com vários prémios, fazendo dele o autor para crianças mais reconhecido da Islândia. Entre as suas obras, poderei destacar Traigo un mensage para Bubu, traduzido pela espanhola ediciones Siruela (desconheço qualquer tradução em português).
Neste livro, Bubu encontra uns duendes feridos no jardim da sua casa. Estes duendes, dedicam-se ao teatro ambulante e Bubu decide cuidar deles o tempo que for necessário. Um dia, seguindo o curso de um rio Bubu entra no bosque. Como demora a regressar, os duendes decidem partir no seu encalço.
 
Neste primeiro fim-de-semana, visitei também, a Akureyri Artists Studio. Nesta galeria apresentavam-se hologramas da australiana Amy Rush. Não é normal a existência de exposições de hologramas, o que exponenciou a minha curiosidade. Com um ligeiro movimento de cabeça, estes trabalhos tridimensionais ganham uma dimensão onírica. Os Rainbow Hologrames desta artista plástica australiana, foram para mim,  uma espécie de viagem alucinógénica em estado de consciência.
Da próxima, não me esquecerei dos ácidos e do CD dos Spiritualized!
 

trabalho de Amy Rush na Akureyri Artists Studio

 Her work plays with the popular misconception of holograms being copies of their subjects, and uses this misconception to create a new authored rainbow reality. The images share the characteristics of a rainbow as well as depicting rainbow imagery which combined allows you to enter into this world via the reoccurring figure in the work. A kitsch aesthetic with a narrative sharing stories of eternal moments captured in moving 3d rainbow holography.
 
http://www.artistsstudio.blogspot.com
 
 
 
 
Este sábado irei trabalhar no Kaffi Amour. Mas para sentir-me tranquilo e feliz, entrando lentamente nesta comunidade, falta ainda encontrar um trabalho para os dias da semana. Oxalá isso aconteça nesta próxima semana. Afinal, começo a sentir a pressão da urgência de dinheiro.
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 14:47
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Introduzindo Heima - a film by Sigur Rós

Faz alguns anos que acompanho a carreira desta banda Islandesa. Mas o motivo pelo qual os referencio no blog, tem a ver com o lançamento, no ultimo trimestre de 2007, do primeiro filme feito por eles e que se denomina HEIMA (CASA em Português).
 
Depois de passarem mais de um ano promovendo o álbum Takk por todo o mundo, Heima é o regresso a casa para uma série de 15 concertos gratuitos por toda a Islândia.
Em Heima poderemos ver desde o faustoso concerto em Reykjavík, até aos concertos em espaços naturais e desérticos, em desactivadas fábricas de peixe e noutros locais improváveis. Um desses locais, é o horseshoe canyon em Ásbyrgi, que reza a lenda, é a impressão da pata do cavalo de Odin (espero este ano visitá-lo e depois postar as fotografias).
 
No filme, a musica, por vezes de cariz épico, dos Sigur Rós, alia-se às magníficas paisagens da Islândia, numa simbiose perfeita, com pormenorizadas estilizações cénicas e de Produção.
Poderá assim, neste excelente filme documentário, ouvir-se a musica dos 4 álbuns dos Sigur Rós, bem como, outros inspirados momentos.
 
Quem é fã do grupo não necessitaria deste post para ir atrás de Heima. Aos outros, espero ter despertado a curiosidade.
 
Let`s look a trailler...
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 22:47
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

Video dos Sigur Rós - Olsen Olsen - Icelandic Band

 
Sigur Rós, em Português significa “rosa da vitória”. A sua música junta elementos melódicos, clássicos e minimalistas e o seu som vagueia pelo etério, por vezes de cariz épico, com a característica voz em falsete do vocalista Jón Þór Birgisson. Jónsi (como é conhecido o vocalista), toca guitarra com um arco de violoncelo, acentuado por um reverb, de efeito flutuante, criando o característico som da banda.
O reconhecimento internacional dos Sigur Rós, veio com o álbum Ágætis byrjun (Um Bom Começo), de 1999. Desse álbum, foram retiradas músicas para o filme Vanilla Sky de Cameron Crowe, The Life Aquatic With Steve Zissou, um filme da BBC e para a série 24 horas (não confundir com o jornal da RTP!),
Vou só deixar os 4 álbuns oficiais do grupo. Contudo os Sigur Rós, editaram vários EPs, bandas sonoras, bem como, possuem vários vídeos. Se alguém quiser a listagem completa, é só deixar recado e e-mail.
 
1.Von (Esperança) 1997
2.Ágætis byrjun (Um Bom Começo) 1999
3.( ) 2002 *duas indicações ao Grammy. Uma para "Melhor Álbum de Música Alternativa", a outra para "Melhor Embalagem de CD"
4.Takk… (Obrigado...) 2005
 
http://www.sigur-ros.co.uk/band
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 18:15
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Glamour ou um episódio de cortejamento em terras islandesas

A noitada em Reykjavík ao fim de semana (Em Julho são aproximadamente 21 horas de luz solar por dia!).

A noitada em Reykjavík. No mês de Julho tem quase 21 h de luz solar diária
 
Já tinha passado por ela.
O Oliver é considerado um dos bares melhor frequentados de Reykjavík. Mas ser melhor frequentado na Islândia, é sinónimo de ter grupos de mulheres obesas, a manearem os quadris tão subtilmente como os sacos de pancada, a cada “punch” de um boxeur. Mas o maneio de quadris, não espelha todos as qualidades destes grupos de mulheres. O que mais as caracteriza, são os incansáveis gritos estridentes. Sim, porque na voz elas são tão "finas" como as gralhas não ficariam depois de 4 shots, 3 cervejas e 2 mojitos!
A meio da noite, já somos empurrados de encontro a todos os sentidos do bar (se é que a partir de determinada hora, alguma coisa tem sentido na noite islandesa). São tantos os encontrões que levamos, que se não consegue beber sem adornar, em cada segundo, o chão de cerveja ou qualquer outro liquido que tenhamos entre mãos. Como esquecer que estamos em terras vikings? Ouvem-se copos a estilhaçar algures. Este sim, é um povo viril! Cedo nos deparamos com a cultura do “drink fast to be drunk quickly!”. Se querem ver mulheres a caminhar como madeireiros, podem sempre visitar a Islândia. Se gostarem delas com bafo de “truckdrivers”, então, bem vindos ao paraíso!
Foi num intervalo de encontrões (ou talvez não), que os nossos olhos se cruzaram. Ela fixou os olhos em mim. Confesso que eu estava mais preocupado em tentar manter a cerveja na mão.
Caminhei para o fundo do bar, tentando encontrar-me naquele kaos. Por fim, fiquei num local semi-abrigado do oceano de encontrões. Era um local com vista para a pista, onde as islandesas saltavam histéricas. Nessa altura, pensei na mulher latino-americana e em como é belo ver o seu caminhar jingado, bem como o seu requebrado harmónico e feminino, acentuando as formas de mulher.
Todo o glamour que eu conseguia ver ali, era a ausência de charme e das tonalidades subtis da sedução. Irei contar-vos neste blog muitas situações com mulheres islandesas. Mulheres de olhos azuis, transparentes e belos como nunca vi. Mas é difícil fazer muitos mais elogios para além do rosto. Na cabeça, relembro os filmes que vi retratando a América profunda e as suas pequenas cidades perdidas. Mulheres com camadas de base e pintura. Mulheres fast-food de pizza na boca.
Estava embrenhado nos meus pensamentos, quando ela chegou de novo perto de mim, fixando o seu olhar. Nessa altura, não havia duvidas que ela estava, de facto, a “cortejar-me” (perdoem-me a expressão tão pouco fidedigna. Sim, porque elas cortejam homens como quem dá um trago numa cerveja!). A sua expressão decidida preparava-me para uma conversa simpática, afinal era novo aqui. Foi nessa altura, como que em uníssono com os gritos de histeria na pista que ela estende o braço, empunhando o seu punho contra o meu braço, mesmo junto ao ombro. Ainda não refeito da surpresa de tão delicada forma de “engate” cerro os dentes, para não fraquejar perante tão singelo cumprimento. Cumprimento esse, tão  delicado como o embate de um camião de combustível num utilitário citadino (ou deveria dizer num Mercedes CLK 200?). Olho na direcção do meu amigo, que surpreso também olhava para mim. Nesse momento, desatamo-nos a rir. Tínhamos sido cúmplices na observação e participação de um ritual de cortejamento e acasalamento em terras islandesas!
Durante o tempo em que a nossa amizade durou e em que repartimos momentos da noite de Reikjavík, acabávamos por relembrar inumeras vezes este episódio, batendo, embora de forma mais leve, no braço um do outro.
Não me perguntem por ela.
 
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 01:33
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

A viagem - o desterro ou a miragem de um "el dorado"?

Iceland - Myvátn. Situa-se no norte da ilha

 

“Vou trabalhar para a Islândia”.
Foi assim que tudo começou. Quando as pessoas que mais bem me querem souberem da notícia, pouco eu sabia acerca deste país.Sabia tratar-se da terra de nascimento da Bjork, Gus Gus, Múm e Sigur Rós.
Havia contudo, aquela esperança de quem emigra. Esperança de oportunidades que apesar de distantes (e talvez por isso), nos parecem possibilidades reais e atingíveis.
Portugal, havia deixado de ser querido. Pelo menos, não via nele a esperança de renascer profissionalmente. É como se o meu país tivesse ficado perdido, entre as dezenas e dezenas de cartas, procurando empregos que correspondessem à capacidade profissional que eu achava ter.
Era a altura de tentar também, resolver muitos processos em mim, de forma a preparar a segunda metade da vida. Teria assim, de resolver todas as situações pendentes, legado de uma gestão menos conseguida da primeira metade. Quanto mais os anos passam, mais difícil pode ser este processo. Mais doloroso!
Mas o mais complicado não é mudar de local. Podemos fugir para lá do paralelo 66 (e eu para tão perto dele vim), mas o mais difícil será mudar os mecanismos de actuação interior. Esse, será o maior desafio da viagem. Mais do que a viagem em si.
A Islândia só poderá ser um pouso de felicidade, se durante essa estadia eu operar interiormente mudanças de facto, para que amanhã em Portugal, ou em qualquer outro local, a minha organização, preparação, responsabilidade e capacidade de resposta sejam diferentes. Uma maior confiança e capacidade empreendedora, terei de encontrar dentro de mim. Que a Islândia possa ser uma etapa para isso. Enfim, teoria que gostaria de pratica fácil. Pelo caminho, fica um novelo de projectos inacabados ou interrompidos e relações afectivas que gostaria tivessem sido mais duradouras.
Não existe viagem sem esperança, nem que essa viagem se chame desterro.
 
E assim parti no início de Julho de 2007.
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 21:57
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