Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

o pequeno arquipélago de Vestmannaeyjar

 
O pequeno arquipélago de Vestmannaeyjar. Destaque para Heimaey, a "maior" e unica ilha habitada.
 
Nos primeiros anos da colonização da Islândia 5 escravos irlandeses assassinaram o irmão de Ingólfur Arnarson, um dos primeiros e mais terríficos vikings a colonizar o país, fugindo posteriormente para as ilhas que se iriam denominar Vestmannaeyjar (literalmente ilhas dos homens de Oeste). Contudo, a sua fuga durou pouco tempo, tendo sido encontrados e depois assassinados.
Vestmannaeyjar é hoje em dia um pequeno arquipélago de origem vulcanica no sul da Islândia, constiuido por 16 pequenas ilhas e 30 rochedos, combinando a serenidade com as belezas naturais. Sendo de origem recente (os cientistas estimam que a primeira das ilhas não tem mais de 15.000 anos), o arquipélago continua em formação, afinal, não podemos esquecer que a ilha de Surtsey nasceu em 1963, numa das mais conhecidas e filmadas erupções vulcânicas (sobre Surtsey falarei num próximo post, pois existe uma exposição multimédia na Casa da cultura em Reykjavík, a qual já visitei.)
Heimaey, a maior ilha do arquipélago, é a única permanentemente habitada (4227 habitantes pelos censos de 2004) e em 1973 uma nova cratera, Eldfell, surgiu através de uma erupção que aumentou em 15% a área da ilha, submergindo parte da cidade.
As suas rochas, penhascos e falésias albergam a partir da primavera uma das maiores colónias de puffins (papagaios do mar) conhecida, para além de uma vegetação rasteira única e luxuriante.
Os seus habitantes tem um dos mais altos rendimentos per capita da Islândia, derivado, como não poderia deixar de ser, da pesca (são 2% da população islandesa e suportam 12% das exportações).
São pessoas rudes e independentes, reflexo do isolamento e de uma vida dura, sujeita a um clima de tormentas (as tempestades no mar já originaram ondas com mais de 23 m de altura!), catástrofes naturais e raids de piratas durante muitos séculos.
Como já referi anteriormente, reflexo do isolamento e da dureza da vida, os contos, crenças e mitos estão ainda muito vivos na Islândia e assim, durante todo o século XX as crianças da ilha eram atormentadas pela lenda pagã e sanguinária de um guerreiro vindo do mar que colocava 34 homens e mulheres sob a sua espada e que fazia mais de 200 escravos. Todos aqueles que tentavam fugir pelos rochedos eram abatidos como aves.
Mas a verdade, é que as catástrofes e dificuldades foram muitas para esta população de Heymaey. Por exemplo, em 1783 a erupção do vulcão Laki matou todos os peixes à volta das ilhas, fazendo com que os habitantes tivessem de viver alimentando-se de uma raiz de nome Hvönn e das sazonais aves marinhas. Uns anos mais tarde, uma tempestade no mar enviou mais de 50 homens para o fundo num só dia.
A cidade de Heymaey com as suas 100 traineiras coloridas, situa-se entre o porto e os 2 cones vulcânicos da ilha (Helgafeell e o mais recente, Eldfell).
As estradas da pequena ilha circundam a base da lava (onde ela parou), agora coberta por uma leve película de musgo verde.
Assim, num domingo poderão visitar as casas semi-enterradas na lava. A pacatez da ilha e os domingos desolados, farão lembrar-vos um filme de Bergman.
Uma das atracções de Heymaey é a pitoresca igreja com a estátua em homenagem aos pescadores desaparecidos no mar. Mas destaque-se também o organizado museu folk e a colecção de peixes islandeses no Museu Aquário de Historia Natural, onde poderão ver o horripilante peixe gato, com dentes iguais aos da piranha, um péssimo feitio e uma estranha expressão humana. Também as crateras vulcânicas, os lindíssimos penhascos pejados de puffins e outras aves marinhas e os rochedos com arcos no mar que nos deliciam nos passeios de barco (não raras vezes podemos avistar as orcas), farão da visita à ilha uma recordação para contar por muitos anos.
Como curiosidades poderei referir a baía Klettsvík, que foi durante muito tempo a casa da mais famosa orca do mundo. Falo de Keikó, a estrela do filme Free Willy.
Na ilha não falta a inevitável piscina ao ar livre de água geotermicamente aquecida (as piscinas na Islândia merecerão também um post futuro), o parque de campismo e o também inevitável campo de golf (muitos existem na Islândia).
Entre Junho e Setembro, no cinema local, tem o Vulcano show que nos retrata a batalha constante entre os islandeses e a natureza.
 
 Vídeo de divulgação e promoção do pequeno arquipélago de Vestmannaeyjar. Uma pena a péssima opção por uma previsível e sensaborona banda sonora, bem como o mau gosto da montagem do vídeo, onde não faltam sorrisos forçados e um atirar de aves em direcção ao horizonte utilizando crianças, num "pastiche" de imagens mais do que "dejá vu" e de analogia básica. Vale pelas filmagens do belo arquipélago que dão uma ideia do que podem ver em caso de uma futura viagem.
 
No primeiro fim-de-semana de Agosto em Vestmannaeyjar, na ilha de Heimaey acontece o Þjóðhátíð Festival que atrai boa parte da juventude islandesa. O festival foi originalmente concebido como a resposta dos habitantes das ilhas à impossibilidade de participarem nos festejos do 1000.º aniversário do povoamento da Islândia, organizando a sua própria celebração. O nome Þjóðhátíð significa "festival nacional", mas durante as primeiras sete décadas de realização foi um festival familiar, destinado aos habitantes locais O festival ganhou relevância nacional nas últimas décadas do século passado, assumindo-se como um rito de passagem para os jovens islandeses, envolvendo um grande consumo de álcool. Só quem vive na Islândia sabe a quantidade de bebidas alcoólicas que se consome durante o fim-de-semana numa cultura de beber rápido para ficar rapidamente bêbados. Mas as festas pagãs excessivas, regadas com muito álcool, sempre foram uma característica da cultura viking. Apenas não sei se será a melhor altura para visitar a ilha pois não imaginam o quanto agressivo pode ficar um islandês carregado de álcool. Se em culturas mais elaboradas existe um certo auto-controle, aqui, onde as pessoas são mais rudes e não tão “polite”, os excessos do fim-de-semana e das festas, acaba muitas vezes em pugilato entre amigos. O que vale, é que mesmo com o sobrolho negro e inchado, a amizade nunca fica afectada. No dia seguinte, estarão de novo abraçados e o “divertimento” terá novos capítulos na copofonia conjunta seguinte.
 

O Þjóðhátíð Festival que se realiza no primeiro fim de semana de Agosto na ilha de Heimaey, onde todos bebem até caír!

www.vestmannaeyjar.is

www.visitwestmanislands.com

www.eyjar.is

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 16:00
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