Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Na senda de Nonni, Jón Sveinsson e o Akureyri Museum

  

  

A igreja museu de 1846 transladada em 1970 para este local com a casa museu onde Jón Sveinsson (Nonni) morou entre os 7 e os 12 anos. É aqui que se inícia o caminho de Nonni.

 

Há algum tempo que queria fazer o caminho de Nonni em Akureyri. Nonni é uma personagem criada por Jón Sveinsson, um escritor de literatura infantil. Existe um percurso que podemos fazer de forma a seguir os seus passos enquanto criança. Eu fiz essa caminhada, fotografei cada etapa e o resultado é este post.
Convido-os a acompanharem-me.
 
Jón Sveinsson
 
Nasceu em Mödruvellir em 16 de Novembro de 1857. Em 1965 a sua família muda-se para a pequena casa de madeira castanha escura que agora se chama Nonni`s House e alberga um pequeno museu.
O seu pai faleceu quando o pequeno Jón tinha 11 anos e um nobre françês ofereceu-se para pagar a educação do rapaz no estrangeiro. Aos 12 anos Jón (ou Nonni, já que os islandeses referem-se a ele pelo nome do personagem que ele criou enquanto escritor) partiu para a Europa para estudar na Latin School em Amiens na França.
Em 1878 tornou-se membro da ordem dos Jesuítas e estudou nas Universidades em França, Bélgica e Holanda, nomeadamente literatura, filosofia e teologia.
Lecciona na Dinamarca a partir de 1883 e depois de estudar teologia em Inglaterra torna-se um clérigo em 1890. Nos 20 anos seguintes é professor e missionário. Uma doença em 1912 termina com a sua carreira como docente e é nessa altura que Nonni passa a dedicar-se à escrita de livros infantis. As suas obras são traduzidas em mais de 30 línguas.
Morreu em Outubro de 1944, aos 86 anos, em Colónia na Alemanha.
 
 
O caminho de Nonni
 
O tracejado na placa, indica a percurso que me esperava. Do lado esquerdo um desenho retrata Jón Sveinsson (Nonni) observando os barcos no fiorde, sentando na pedra de Nonni, situada no alto da colina.
 
Eram 11h da manhã quando iniciei a caminhada junto à casa de Nonni. Foi construída em 1850, 15 anos antes da família se mudar para Akureyri. As memórias dos tempos ali passados, irão inspirar Nonni, na criação dos seus livros para crianças que começa a escrever em 1912 no estrangeiro. Em 1957 a habitação passa a albergar o the Memorial Museum of Jón Sveinson, Nonni.
A casa fica no sopé da colina por onde segue o caminho de Nonni. Ainda no sopé, na margem esquerda do caminho, fica a igreja museu construída em 1846. A igreja foi construída em Svalbard, tendo sido transladada em 1970 para este local.
 
Logo de início, o caminho começa a subir a colina. Para trás fica a pequena igreja, a casa de Nonni, a estátua de Jón Sveinsson e o fiorde, nesta altura do ano em tonalidades esverdeadas.
 
Depois de fotografar e de respirar fundo, sempre com uma névoa um bom par de metros acima da minha cabeça, início a subida da ladeira que o tortuoso caminho me oferecia. O verde da erva rejuvenescida começa a tomar conta de Akureyri. Nem parece que ainda à menos de 1 mês atrás, o branco se estendia desde as montanhas até ao fiorde, abraçando a cidade. A manhã estava serena e as aves cantavam umas com as outras, como se estivessem esgrimindo argumentos. Calmamente subi a colina, fazendo algumas pausas para observar o fiorde que a cada passo ficava mais para baixo. A paisagem desabrochava enquanto eu subia a caminho do cemitério. Mas não deveria ser nada fácil caminhar por aqui nos rigorosos Invernos do passado, nomeadamente com o gelo do Inverno que a cada segundo nos convida a escorregar.
 
O caminho de Nonni entre a casa e o cemitério no alto da colina.
 
Por fim cheguei ao cemitério onde se encontra o túmulo do pai de Nonni. Uma grande cruz branca na pequena Memorial Square homenageia os marinheiros desaparecidos ou mortos no passado.
 
no alto da colina e junto à pedra de Nonni, podemos imaginar a vista no passado. Reparem no nevoeiro escondendo a montanha do outro lado do fiorde. Um tecto que me acompanhou toda a manhã.
 
Saindo do cemitério, continuo a seguir o caminho de Nonni até chegar à pedra onde o pequeno Jón apreciava os barcos e a vista sobre o fiorde. É uma grande pedra no cimo da colina, ligeiramente abaixo do cemitério.
 
A pedra de Nonni está devidamente assinalada.
 
O caminho desce agora a colina numa direcção mais para norte, por onde a cidade se foi estendendo. Tempo ainda para ver a primeira habitação de Akureyri. Trata-se do número 14 da rua Adal (Adalstraeti). A casa em madeira caiada de branco datada de 1835.
A manhã terminava bucólica. Talvez uma espécie de morabeza próximo do paralelo 66. Ou seria uma malemolência no artico? O passeio tinha valido a pena. Espero que tenham apreciado e que um dia possam vivê-lo!
 
A primeira habitação de Akureyri situada rua Adal, 14. Construida em 1835, foi comprada por Fridrik Gudmann em 1873 e oferecida para ser o hospital da cidade, o que aconteceu até ao ano de 1896.
 
 
O Akureyri Museum
 
Antes de iniciar o caminho de Nonni, resolvi entrar no Akureyri Museum, já que ficava no início do percurso. Não me arrependi. Apesar de só abrir ao público em 1 de Junho, deixaram-me ver a exposição no piso de entrada. Landmán – the Settlement é uma exposição que retrata a colonização e o estabelecimento das pessoas ao longo do fiorde Ejja, onde se situa Akureyri. Esta é uma exposição permanente mas actualizada anualmente. No outro piso montava-se uma exposição sobre Akureyri.
Filmei e montei um vídeo da referida exposição e o resultado poderão ver de seguida:
 
 

  

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 11:12
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