Domingo, 29 de Junho de 2008

Entre fiordes: Do Eyjafjördur ao Skagafjördur

 

 

Depois de algum tempo de ausência, a quantidade de posts em lista de espera aumentou significativamente. Ou seja, a fazer lembrar as listas de espera dos hospitais portugueses. Nem mesmo no exterior nos afastamos dos velhos hábitos lusitanos. Como não posso contratar ninguém para actualizar este blog, tentarei amenizar tal facto nos próximos dias (ou deveria dizer semanas?).
Muitas observações e impressões estão na cabeça e consequentemente em agenda para partilhar convosco.
Começarei por postar acerca de uma pequena viagem que fiz com o meu amigo Nuno, a viver actualmente na Finlândia e que veio visitar-me o mês passado.
Esta é uma viagem iniciada em Akureyri, percorrendo a margem Oeste do Eyjafjördur (fiorde Eyja) e a margem Este do Skagafjördur (fiorde Skaga).
Depois de alugarmos um automóvel, iniciamos esta viagem no norte da Islândia, entre os dois fiordes acima referidos. Percorremos todo o lado Oeste do Eyjafjördur, de encontro ao oceano glaciar árctico. A natureza ofereceu-nos um dia sem chuva, proporcionando uma viagem agradável. Antes de Dalvík fizemos algumas paragens para tirar fotografias, instantâneos das margens do fiorde abraçado pelas abertas montanhas ainda com neve. Algumas casas prefabricadas dispersas, revelam destinos de fim-de-semana dos islandeses. Ainda pela manhã chegávamos a Dalvík, uma das maiores cidades da região (aprox. 1500 habitantes), onde em 1934 um terramoto de 6.3 na escala de Richter, originou um desprendimento de terras da montanha, destruindo metade das habitações. Em frente a Dalvík, no meio do fiorde, encontra-se a ilha de Hrísey, uma reserva natural onde poderão ser apreciadas algumas aves. Para tal, basta apanhar o ferry boat numa curta viagem de 15 minutos.
Continuamos na direcção norte, na estrada que liga Dalvík à cidade de Ólafsfjördur. Paramos algumas vezes para admirar a vista, antes de entramos no túnel que nos fez abandonar o Eyjafjördur. A viagem iria sair agora da zona costeira já que iríamos até ao oceano glaciar árctico atravessando a montanha. Entramos no túnel de vários kilómetros, onde a pedra esburacada permitia apenas uma faixa de rodagem. Sempre que um carro vinha de frente, tínhamos de aproveitar umas plataformas construídas para dar passagem ao sentido com prioridade. Os túneis na Islândia são assim e tirando a estrada número 1 que circunda a Islândia, praticamente todas as outras vias tem zonas em terra batida (isto se não forem completamente em terra batida). Está visto, esqueceram-se de trazer os sucessivos governos de Portugal, bem como a Mota e Engil para cá. Não me parece contudo, que o facto tenha resultado num inferior índice de desenvolvimento económico!!!
 
Uma belíssima composição. Hraun: O lago Mikla com as suas aguas congeladas e o oceano glaciar árctico. Um cenário de contornos épicos que a máquina fotográfica não consegue captar na plenitude.
 
Depois de cruzarmos Ólafsfjördur e a montanha deparamo-nos com uma das mais belas, magnânimas e épicas vistas que já presenciei. Trata-se de Hraun e no miradouro apanha-se Miklavatn (lago Mikla), delimitado a norte por uma estreita língua de terra que o separa do oceano glaciar árctico. As montanhas de contornos tão cinemáticos quanto épicos, bem como o majestoso cenário aberto, jamais poderá ser captado por um instantâneo fotográfico. Esse, dar-nos-á sempre uma outra realidade. A água gelada do lago contrastava em textura com os movimentos ténues da água do oceano glaciar árctico. Este cenário foi um dos que mais me impressionou durante o dia.
Extasiados seguimos até ao fim da estrada que desembocava em Siglufjördur. A cidade (com o nome do belíssimo fiorde) tem nos dias actuais 1800 habitantes. Achei um encanto este recanto no belo e adormecido fiorde. Em breve, pretendo passar aqui um fim-de-semana.
Voltamos depois para trás, percorrendo parte do caminho que nos trouxe. Fomos então no encalço do Skagafjördur. Já passava do meio da tarde, mas nesta altura do ano o norte da Islândia já não tem noite. Ao chegarmos a este fiorde os nossos olhos são recebidos pela ilha de Málmey, um rochedo de lava com 4 km de comprimento. Na direcção da vila de Hofsós passamos por mais ilhotas que nascem nas águas do fiorde. Dranguey é um dos exemplos. Como já era tarde (fizemos muitas paragens para sentir os lugares) não fomos a Hólar, durante mais de 600 anos o centro religioso do norte. A sua catedral que dizem ser charmosa, data de 1763 e a vila foi fundada no ano de 1106.
A jornada já ia longa e percorremos a estrada até ao final do fiorde apanhando depois a numero 1, atravessando as montanhas em direcção a Este, de regresso a Akureyri.
Um belo passeio que ambos adoramos.
 Ficam algumas fotos e um pequeno vídeo que fiz, registo sempre aquém das sensações apenas possíveis estando fisicamente na Islândia. É que só assim podemos sentir as suas formas, cores, espaços, cheiros e sons.
  

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 02:42
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