Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Húsavík - da pesca à observação das baleias

 

 foto Março 2008

 

 foto Janeiro 2008

Húsavík situada na baía de Skjálfandi, águas do oceano glaciar Árctico

 

Quando em Janeiro deste ano regressei à Islândia, fui para o norte, onde nunca tinha estado. Conhecer os locais através de leituras e fotografias, é muito diferente do que vivenciá-los, sentindo o seu pulsar. Neste país, cada espaço tem uma energia própria e uma amplitude que nos faz parar, para melhor interiorizarmos a natureza. Em cada recanto, a relação entre a sobrevivência do homem, a procura de melhores condições e a natureza é admirável.
Tinha passado o natal com a família no Porto e depois da passagem do ano tinha seguido para Valência. Em Portugal e em Espanha tinha estado envolvido no conforto dos afectos e rodeado pela secular história urbana da humanidade. Já na Islândia, em cada floco branco que se derrete no rosto, é o silêncio da natureza que vem afagar-nos.
São 6 horas de viagem de camioneta, para percorrer os cerca de 450 km que separam Reykjavík de Akureyri. Em Janeiro, são 6 horas sob o espesso manto branco que parece adormecer a ilha. A luz natural é quase fugaz e o sol, escondido sempre atrás das montanhas, apenas nos deixa ver uma luz difusa, algures entre o cinzento e o azul-escuro. É na magia do ocaso que elfos, fantasmas e trolls se atrevem a sair das colinas e rochas que habitualmente lhes serve de esconderijo. É que o sol do verão não os protege. Antes os cega e petrifica.
Assim, todos eles se multiplicam durante o Inverno islandês.
 
A igreja de Húsavík É uma das mais atraentes igrejas islandesas. Foi desenhada pelo arquitecto islandês Rögnvaldur Ólafsson e construída em 1907, usando madeira norueguesa. Tem uma capacidade para 450 pessoas e quando foi construída, a povoação não tinha mais de 500 habitantes. No altar existe uma impressiva pintura de 1931, pelo pintor e agricultor Sveinn Pórarinsson, representando Lazarus a erguer-se da morte.
 
Quando cheguei a Akureyri tinha o meu amigo Matin à espera. Tinha trabalhado com ele antes do natal em Reykjavík. O Matín tinha-se mudado para o norte, depois de ter aceite um convite para ser o chefe de cozinha num restaurante em Húsavík. Sendo assim, fui com ele passar 3 dias à capital da observação das baleias (whale Watching), como é denominada a povoação.
Husavík é uma pequena cidade situada no norte da Islândia, na baía de Skjálfandi e com uma população 2500 habitantes. O nome significa baía-casa e foi escolhido por Gardar Svarvasson numa viagem em 850 DC, ainda antes do primeiro colonizador oficial da ilha.
A cidade destaca-se pela sua característica igreja, rodeada por casas de telhados coloridos em frente ao porto.
Husavík vivia exclusivamente da indústria pesqueira, mas o turismo tem vindo a crescer.
Os islandeses são na sua maioria, contra a lei internacional que proíbe a captura e matança destes mamíferos. Mas neste caso, o apurado faro para o negócio de uma família, descobriu que afinal as baleias podem, através do turismo, impulsionar mais a economia local do que da matança. Assim, restauraram e adaptaram 3 barcos de pesca e passados 13 anos e mais de 6 mil viagens, Húsavík transformou-se na capital europeia da observação das baleias (whale watching).
 
 
A North Sailing, empresa criada por uma família com o intuito de desenvolver o turismo na cidade, reconstruiu e adaptou 3 barcos de pesca para a observação de baleias (whale watching). O primeiro foi o Knörrinn (4,12 m de comprimento e uma capacidade de 46 pessoas). Seguiram-se o Bjössi Sör (4,34 m e capacidade de 56 pessoas) e o Náttfari (5,30 m e capacidade de 90 pessoas). Náttfari foi um viking sueco que ficou perdido com 2 escravos na baía que abriga Húsavík, ainda antes da colonização oficial da Islândia. Como foi de forma involuntária, não é considerado o primeiro habitante e colonizador do país. Obviamente, esta interpretação oficial defendida pelos políticos e académicos não é corroborada pelos habitantes da cidade.
 
Neste vídeo, podemos observar as baleias através dos barcos pejados de turistas. Assim, fica-se com uma ideia do passeio turístico para observação destes mamíferos na baía de Skjálfandi.
 
Fiz pouso 2 noites em casa do Matín que me revelou alguns segredos da cidade. Alguns locais nos arredores que os naturais não gostariam que fossem invadidos por turistas, mantendo-os para usufruto próprio, como se de espaços sagrados se tratassem. Mas também nós em nossa casa, mantemos algumas divisões mais resguardadas das visitas. Um desses locais, é um grande tanque que fica no topo do Húsavikurfjall (417 m) e que recebe agua do interior da terra a mais de 36 º C. Imagine-se o que é estar à noite, a tomar banho num tanque de agua geotermal, rodeado de neve e bebendo uma cerveja com um amigo. Pois é, tive esse privilégio debaixo do olhar atento das estrelas.
Não queria acabar este post sem referenciar os 3 museus da cidade:
O Safnahúsid Museum que inclui o museu etnográfico, o museu marítimo, a colecção de história natural, a colecção de fotografias, a colecção de pinturas e os arquivos do Distrito.  
www.husmus.is
 
O bizarro Phallological Museum (museu do pénis), sobre o qual já postei neste blog em 31/3/08.
 
www.phallus.is
 
Por último o Husavík Whale Museum (museu das baleias) fundado em 1977. Vários jovens cientistas de outros países acabam por fazer estágio neste museu que tem um papel informativo relevante. O seu corpo científico acaba por servir-se, muitas vezes, dos barcos que passeiam os turistas, como plataforma de estudo das baleias no seu habitat natural.
 
 
Com as várias fotos que aqui deixo, os vídeos, as informações e impressões, penso ficarem com uma ideia sobre este local, ao qual voltarei em breve.
 
Gaumli Baukur é o nome do restaurante bar do qual o Matín é o chefe da cozinha. É uma casa em madeira nórdica construída em 1843, como residência de Mr. Shulsen, o magistrado do Distrito. Entre 1884 e 1904 foi um popular restaurante e em 1960 destruída por um incêndio. Reconstruída em 1998 é pertença da família que explora o whale watching. Na reconstrução da casa não foram cortadas árvores. A madeira, bem como todos os instrumentos náuticos no seu interior, é um legado do mar que sedimenta os seus despojos ao longo da baía.

 

 

entrada sul de Húsavík em Maio de 2008
 
links úteis e informativos de Húsavík
 
www.husavik.is
 
www.northsailing.is
 

Também em Húsavík fiz umas pequenas filmagens em Janeiro de 2008. Na montagem deste vídeo a música é dos Ljótu Hálfvitarnir, um grupo da cidade.

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 02:47
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Surtsey - A ilha vulcão e a exposição em Reykjavík

A Ilha vulcão de Surtsey

  

 Uma erupção de lava em 24 de Abril de 1964, numa vista para nordeste de Surtsey. No canto superior direito pode ver-se uma fotografia aérea de 29 de Agosto de 2002.

 

A Islândia é geologicamente, o país mais recente da Europa. Formou-se, devido a uma série de erupções vulcânicas, há cerca de 20 milhões de anos.
A dorsal meso atlântica que maioritariamente é submarina emerge na Islândia. Essa dorsal separa na ilha, a placa tectónica norte-americana da placa tectónica euro-asiática. As placas estão em movimento o que origina a actividade vulcânica intensa ao longo da dorsal (é a mesma que passa pelo os Açores). Sendo assim, a Islândia está em actividade vulcânica permanente.
Por isso costuma-se dizer que a Islândia continua em formação. A confirmação é Surtsey, a ilha vulcão que veio aumentar um pouco mais as dimensões do país, decorria o ano de 1963.
Surtsey (baptizada em homenagem a Surt, o gigante do fogo da mitologia nórdica) integra a mais recente lista da UNESCO do Património Mundial da Humanidade. É a mais recente ilha do oceano atlântico e a parte mais meridional da Islândia, pertencendo ao arquipélago de Vestmannaeyjar (ver neste blog o post: O pequeno arquipélago de Vestmannaeyjar - http://iceland-views.blogs.sapo.pt/5470.html).
  

Vídeo da formação da ilha de Sustsey numa das erupções vulcânicas mais acompanhadas de sempre 

 

Foi a 14 de Novembro de 1963 que a pequena ilha emergiu no Oceano atlântico, numa erupção que começou a 130 m de profundidade. As violentas explosões causadas pelo rápida expansão do vapor sobreaquecido, produzido pelo contacto da água do mar com a lava incandescente, levou a que a ilha fosse essencialmente constituída por escórias de rocha vulcânica, de muito baixa densidade e com um grau de agregação diminuto, deixando a estrutura em extremo vulnerável à erosão marinha. Contudo, nesta fase, a produção de novo material excedia em muito a erosão, pelo que a ilha continuava a crescer. A partir de 1964, o vulcão até então constituído essencialmente por tefra, ganha uma dimensão em altura que faz com que a sua chaminé não estivesse mais em contacto com a água. A erupção ganhou um carácter menos explosivo, passando a emitir correntes de lava basáltica, que reforçaram os terrenos onde penetravam e recobriram boa parte da estrutura com uma camada de rocha consolidada. Isso impediu o rápido desaparecimento da ilha, como aconteceu com as suas pequenas irmãs, Syrtlingur e Jólnir. As erupções duraram até 5 de Julho de 1967, altura em que Surtsey atingiu as suas maiores dimensões (2,7 km2). Desde então, a erosão marinha e o vento tem vindo a reduzir gradualmente a sua área (actualmente inferior a 1,4 km2).
  
 As crateras semicirculares no centro tem actualmente aproximadamente 154 m de altitude
 
Em 1965 a ilha foi declarada como uma reserva natural, tendo-se transformado num autêntico laboratório de investigação ao ar livre. Não podemos esquecer que na Islândia existe uma comunidade de vulcanologistas experientes. Assim, a ilha foi estudada intensivamente desde os estádios iniciais da erupção, fornecendo um modelo de grande interesse para os estudos de vulcanologia e evolução dos materiais vulcânicos, erosão costeira e ecologia, com destaque para estudos sobre os tufos vulcânicos e os processos de colonização vegetal de novos territórios insulares. Têm sido apresentados inúmeros estudos sobre diversos aspectos da biologia e ecologia das espécies que entretanto se foram fixando na ilha.
Ainda hoje, apenas cientistas credenciados em investigação de campo são autorizados a desembarcar na ilha. Os visitantes apenas a podem sobrevoar de avião ou avistá-la a partir de embarcações.
 
A Exposição Surtsey - Genesis na Casa da Cultura de Reykjavík
  
Vídeo montagem da exposição Surtsey-Genesis na casa da Cultura - Centro Nacional do Património Cultural em Reykjavík
 
Existe um motivo para fazer este post sobre a ilha vulcão de Surtsey. É que quando cheguei à Islândia em 2007, fui à Casa da Cultura em Reykjavík para ver a exposição multimédia surtsey – génesis.
Na Casa da Cultura, um Centro Nacional do Património Cultural, podem ver-se varias exposições em simultâneo, sendo algumas de carácter mais permanente. Entre estas, refira-se a dos manuscritos medievais - Eddas e Sagas, livros onde se encontram narrados todos os feitos vikings que tanto orgulham os islandeses. Haverei de falar sobre as Sagas vikings e do Eddas num post futuro. O Eddas foi já escrito pela pena do cristianismo. Contudo, o seu objecto acaba por ser o reflexo do paganismo na Islândia – as crenças e as sagas vikings.
Mas a exposição que nos interessa neste post é a e Surtsey – génesis. Esta exposição traça o nascimento e evolução da ilha vulcão, do início até aos dias de hoje, prevendo o desenvolvimento geológico e ecológico nos próximos 120 anos. São aplicadas as últimas técnicas multimédia para dar a conhecer as respostas de toda a pesquisa cientifica no terreno. A exposição é organizada pelo Instituto Islandês de História Natural.
Com o objectivo de partilhá-la convosco neste blog, antes da minha estadia em Portugal fui visitá-la de novo, acompanhado da minha pequena e antiga máquina de filmar.
Para quem não pode ir a Reykajvík, deixo acima o vídeo e a respectiva montagem. Abaixo, fica uma breve explicação, também em formato vídeo, das transformações da ilha sujeita à erosão marinha e eólica.
Espero que gostem!

 

explicação vídeo das transformações no diâmetro e área de Surtsey

 

Acesso ao web site da Sociedade de Estudo de Surtsey criada em 1965

http://www.surtsey.is/index_eng.htm
 
Voltarei ao tema do vulcanismo na Islândia num post futuro. É que não existe homem com a dimensão da natureza. Por isso, o fascínio chamado Islândia!
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 13:54
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

A neve. Pela janela do quarto...

 

Foram 2 meses em Portugal e uma visita à Andaluzia espanhola. No Porto e em Sevilha respira-se a história da humanidade, em cada edifício, em cada monumento, por trás de cada janela. São segredos que nos revelam serpentes transvestidas de moiras. São os sonhos de um passado a guiar o nosso futuro. Na plaza del Salvador, as estátuas de Dali combinavam imagens bizarras, oníricas, com a excelente qualidade plástica que lhe é (foi) reconhecida.
No mesmo dia, passei de 25 º C para as temperaturas negativas de Akureyri. O regresso foi dia 24 de Outubro.
Na Islândia, a natureza exprime-se sempre com uma amplitude de movimentos surpreendente.
O que encontrei ficou registado no vídeo.
De minha casa…
 
Eu ando pelo mundo
Transito entre dois lados de um lado
Eu gosto de opostos
 
 
Pela janela do quarto
Pela tela, pela janela
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 23:26
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Domingo, 16 de Novembro de 2008

Jeff quem?

Estou de regresso à Islândia, depois de 2 meses em Portugal e uma passagem por Sevilha (a belíssima cidade da Andaluzia espanhola). Foi um duplo “choque”, tanto térmico, como nos processos de socialização. Nesses 2 meses, o colapso financeiro das instituições bancárias arrastou o Estado islandês para a bancarrota. De um dos países mais ricos do mundo, aos pedidos de ajuda e de empréstimos de dinheiro, foi um curtíssimo passo. Contudo, foi um passo demasiado grande para a amplitude económica do Estado Islandês. Quando me preparava para postar sobre a depressão, resolvi visitar o blog do meu amigo Fernando e o meu estado de espírito mudou mais rapidamente que o colapso económico do país. Os culpados foram os Jeff Who?

 
  
 
Os Jeff Who? (deixem estar lá o pontinho de interrogação) são mais uma das dezenas de interessantes bandas que circulam pelo universo Indie/Pop/Rock.
Como muitos outros grupos, trata-se da junção de um grupo de amigos e colegas de escola que começam a tocar juntos, organizando festas, rodeados de amigos e muitas cervejas (não necessariamente por esta ordem). No final de 2004 os Jeff Who? estão já formados e o ano de 2005 apadrinha o seu álbum de estreia. Death before Disco é editado pela Bad Taste Records e nesse ano a banda faz  a 1ª parte do concerto dos Franz Ferdinand em Reykajvík.
Não encontro más canções em Death Before Disco. Gosto do som retro e sincopado da sua pop que transmite frescura e alegria (apesar de retro e frescura sugerir uma antítese). Para mim, elemento essencial para essa frescura é o piano de Valdi, sempre muito bem tocado.
O grupo cedo captou a atenção dos media islandeses, nomeadamente pelos seus 2 primeiros singles, Death Before Disco e Golden Age que os levaram a ganhar 3 prémios das rádios de Reykjavík e 1 Icelandic Music Award, no ano de 2007.
Mas o grande convite para a festa chega com a música Barfly. Não sei se a escolha do nome da música será tão inocente, já que me remete para 1987 e o filme com o mesmo nome, de Barbet Schroeder, com a chancela de Francis Ford Coppola e interpretações de Mickey Rourke e Faye Dunaway.
Deixo-vos o vídeo de Barfly, retrato sentido das noites islandesas, inevitavelmente regadas pela ingestão de quantidades ilimitadas de bebidas alcoólicas, potencializadoras do excesso e consequente decadentismo.
Clap your hands! Jeff quem?
 

 

   

http://www.myspace.com/jeffwhoband

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 20:43
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Atrás do sol da meia-noite

 

in a place where the sky never darkens but dims...
a room dressed mostly in pink 

 

Neile Graham in "wearing nothing but the midnight sun"

 

 

 

Foi às 14 horas, do dia 20 de Junho, que parti com o meu amigo Vítor rumo aos West fjords (Fiordes do Oeste).
Esta era uma viagem que eu andava a programar há muito tempo e guardei-a para quando alguém muito especial viesse visitar-me.
Conheci o Vítor num dos locais mais improváveis, onde o silêncio pode ser constrangedor. Tinha acabado de entrar e ele chegou segundos depois. Ofegante perguntou:
- “ Vais para cima?”
- “Sim” respondi.
Íamos iniciar o mesmo curso de teatro organizado pela Seiva Trupe.
Com o fechar da porta e o movimento ascendente do elevador selou-se o encontro mais do que casual. Uma viagem de amizade que dura à mais de 15 anos.
Podemo-nos, muitas vezes, perder nos caminhos que trilhamos. Mas encontramo-nos na amizade, mesmo que por vezes existam hiatos.
 
Ir de encontro aos fiordes do Oeste é um dos mais belos passeios que poderão fazer na Islândia. É uma larga península separada do sudeste da Gronelândia por uma pequena faixa de oceano. Corresponde também à mais profunda e inóspita Islândia. Um pedaço de terra com a mais recortada linha costeira, polvilhada de fiordes e com uma tortuosa estrada que os desenha. Sendo praticamente uma ilha com uma densidade populacional baixíssima, foi das últimas regiões da Islândia a ser servida por estradas. Ainda hoje a gravilha substitui o alcatrão em muitos e extensos pedaços.
Mas sobre os west fjords irei falar num próximo post. Neste, o actor principal é o sol. O sol da meia-noite!
 
Enquanto fotografava e filmava compenetrado aquele solene sol, o Vítor consegue este instantâneo que guardarei para sempre.
 
Explicar o fenómeno do sol da meia-noite (midnight sun) em palavras pode não ser fácil. Por isso este post estará servido com fotos e 2 vídeos. Um filmado e montado por mim e que se denomina “atrás do sol da meia-noite”, testemunho desta nossa saga. Já no vídeo de baixo, condensam-se 3 horas em 10 segundos, para uma rápida visualização do fenómeno.
O sol da meia-noite acontece devido à inclinação do eixo da terra. A área em torno do pólo norte fica exposta ao sol durante 24 h/ dia no Verão. Quando a meia-noite se aproxima, o sol em vez de se esconder volta a subir.
Assim, enquanto no pólo norte e zonas limítrofes é dia durante 24 horas, no Pólo sul e zonas limítrofes é noite 24 horas e vice-versa.  
Num país tão místico como a Islândia, talvez tenha sido por intervenção divina esta viagem coincidir com o mais longo dia do ano. Dia 20 de Junho, pudemos ver um belo sol laranja no miradouro que fica em frente a Sudavík. Mas foi no dia 21 que apreciamos e acompanhamos o fenómeno em toda a sua dimensão e com o céu limpo, algures entre Bolungarvík e Ósvör. Depois de uma perseguição na tentativa de encontrar o melhor local para o observar, seguindo uma intuição que veio a revelar-se perfeita, ficamos num ponto onde poderíamos ver toda a boca do Isafjardardjúp (uma língua de mar cheia de pequenos braços ou fiordes).
Então, pudemos apreciar o sol da meia-noite, como dificilmente voltará a acontecer. A luz tem requintes de magia e os púrpuras invadem o céu. O sol apenas plana sobre as águas frias sem nunca molhar os pés e assim vai-se estendendo, preguiçando pelo horizonte. Depois, lentamente, quase trocista volta a levantar-se. Um erguer majestoso para quem nunca deixou a noite chegar!                                            

 

 Neste vídeo o realizador condensa 3 h em 30 segundos de forma a que se veja em que consiste o sol da meia-noite. 

 

Atrás do sol da meia-noite é o filtro possível do meu olhar e posteriormente da lente da minha antiga e fiel câmara de filmar digital. Mas o que não tem valido o pequeno investimento de 340 €.
Partilho convosco um dos mais belos fenómenos da natureza, com banda sonora dos islandeses Múm.
 
Nunca sabemos como será o futuro. Mas existem momentos, pela sua singularidade e intensidade que guardamos e que nos acompanharão a vida toda. Ter visto o sol da meia-noite é certamente um deles.
O Belo só existe na exacta medida em que se perpetua dentro de nós.
 
 

20 minutos separam os instantâneos das 2 fotos. Na montagem que fiz, poderá ver-se a trajectória horizontal do sol, percorrendo a boca que separa as extremidades do Ísafjardardjúp. Depois o sol voltou a subir, sem nunca se esconder.

 

para uma explicação esquematizada

 http://www.youtube.com/watch?v=dTkok9xetQM

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 01:29
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Sábado, 19 de Julho de 2008

Bang Gang: Indie guitar Pop e psicadelismo semi acústico

 

 

Acreditem que este não passou a ser um blog musical. Mas imaginem um país com 300 mil habitantes, 90 escolas de música, 6000 integrantes de coros, 400 orquestras ou bandas e um número impossível de saber de grupos de rock. A música na Islândia é um processo de identificação nacional do pós-independência.
 
Feita a introdução, vou falar acerca de uma das mais interessantes bandas islandesas que já conseguiu a internacionalização. Trata-se dos Bang Gang (não confundir com gang bang!) que com uma rebeldia arty, praticam um som agridoce facilmente assimilável pelos ouvidos dos adolescentes, mas com a capacidade de agradar a ouvidos mais exigentes. Especialmente, se esses ouvidos estiverem necessitados de um som de características Indie, conjugando guitarras, sons etéreos, reminiscências de trip hop e jogos melódico-vocais.
 
Na verdade, Bang Gang é o projecto de Bardi Johannsson, o talentoso compositor/perfomer/produtor. O projecto caminha numa andrógenia a lembrar os Placebo, algures entre um rock de guitarras e um imaginário que recorda Serge Gainsbourg. Muitas vezes, o seu som é etéreo e utiliza crescendos como se de uma ópera se tratasse. Em algumas músicas a voz de Bardi contracena com um vocal feminino, também melódico. Com Keren Ann, Bang Gang já fechou o Art Festival de Reykjavík, acompanhados pela Icelandic National Symphony Orchestra.
  

 Find what you Get é um dos temas fortes de Something wrong, disco de 2003

 

A discografia engloba 3 álbuns de longa duração:
 
You – versão islandesa em 1998 e versão francesa em 1999
 
Something Wrong – 2003. Este é o registo que confirma os Bang Gang. Um belo trabalho, onde não falta uma versão delico-doce do tema Stop in the name of love das Supremes. Conta com a participação de Nicollete (que trabalhou com os Massive Attack) e Daniel Agust dos Gus Gus. Destacam-se os temas Inside, Follow e Find what you get.
  

 Stop in the name o love é um original das Supremes. Esta é a versão dos Bang Gang que integra o disco Something Wrong de 2003

 

 Follow é um original dos também islandeses Sigur Rós. Aqui reinterpretada pelos Bang Gang

 

Ghosts from the Past – 2008. O mais recente álbum e um dos bons lançamentos do ano, nomeadamente para quem gosta de indie-pop. Este é um disco em que as referencias se confirmam. Nomeadamente, um som que remete aos Dandy Warhols. Assim, Ghosts from the Past oferece-nos o pseudo intelectualismo urbano a conviver com a folk islandesa, numa embalagem psicadélica semi acústica, pitadas de glam lo-fi e o indespensável hipe a acompanhá-lo. Sinceramente, para mim trata-se de uma fórmula sedutora. Nunca escondi o apreço pelos americanos Dandy Warhols e os islandeses Bang Gang, sem perderem o seu próprio carisma, resgatam parte desse imaginário. O tema mais requisitado de Ghosts from the Past tem sido I Know I sleep.

 

 Na ausência do vídeo, fica o som de I Know I Sleep que integra Ghosts from the Past de 2008
 
Deixo-vos alguns vídeos, bem como o My Space e o site oficial.
Para quem não conhecia, está feita a introdução aos Bang Gang.
 
http://www.myspace.com/banggangband
 
http://www.banggang.net/

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 02:03
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Islândia vs Brasil ou Einarsson vs Jussanam

 

 

Faz 50 anos que o baiano João Gilberto inventou a bossanova, com uma batida de violão inovadora e uma voz introspectiva, pincelada de timidez. A bossanova, apesar da linguagem jazzística, é mais minimal, delicada e elegante.
A revolução aconteceu em 1958, com “chega de saudade” e para além de João Gilberto, não poderemos deixar de lado a mestria de António Carlos Jobim e do poeta Vinicius de Morais, bem como o talento de Carlos Lyra (tem letras muito inteligentes) e Roberto Menescal (o seu filho integra actualmente o projecto denominado Bossacucanova, que reescreve a bossanova, com o recurso da electrónica).
Na década de 60 a bossanova conquistou os grandes nomes e editoras do jazz americano. “Getz e Gilberto” (Verve -1963), “António Carlos Jobim” (Verve – 1963), entre outros, são obrigatórios em qualquer discoteca pessoal.
Um apaixonado pelo Brasil como eu, nomeadamente no que à música diz respeito (quem me conhece sabe a paixão musical por Tim Maia e Jorge Ben), conseguiu encontrar interacções entre o Brasil e a Islândia.
Num dos meus primeiros dias em Reykjavík, no café Cultura, assisti à apresentação de um músico brasileiro, acompanhado por 2 dos mais conceituados músicos de jazz Islandeses. Falo do saxofonista Oskar Gudjonsson e do guitarrista Omar Gudjonsson. Intercalando música tropicalista com bossanova, tocaram alguns géneros regionais como por exemplo, o baião nordestino (descansem que não houve lugar para forrós a lembrar calcinha preta!).
Em Fevereiro deste ano a actriz e cantora carioca Jussanam, actuou com Tomas Einarsson, também ele, um dos mais respeitados compositores e contrabaixistas de jazz da Islândia. Nesta actuação, foram acompanhados por Oskar e Omar Gudjonsson.
Tomás R. Einarsson nasceu em Reykjavík em 1953 e editou 13 discos até à data. Poderão ver todo o seu currículo nos links que deixo em baixo, bem como consultar o MySpace, onde poderão ouvir um disco de remisturas de composições de Einarsson e do seu latin jazz, transvestido pela electrónica tecno de músicos e DJs islandeses, ingleses, alemães e franceses. Destaca-se neste disco a participação de elementos dos Moloko e Gus Gus.
Da colaboração entre Tomas Einarsson com a brasileira Jussanam, poderão ver uma actuação na TV da Islândia, em 26/2/2008. No programa Kastljós, apresentam o clássico " Ela é carioca ", de Tom Jobim. Uma interpretação menos minimal e que se afasta do tom vocal intimista e contido da bossanova, para se soltar em mais escalas, numa liberdade jazzística (os músicos que a acompanham são de jazz e não desdenham o experimentalismo). Os puristas da bossanova poderão não achar muita piada, mas a verdade é que hoje em dia os melhores resultados nascem do risco dos cruzamentos e do exprimentalismo. Verdade seja dita, seguindo a mesma linha de raciocinio que esse risco e exprimentalismo redunda, muitas vezes, em desastre. Mas não será aqui o caso.
Fica o link desta apresentação, referindo que Jussanam estará desembarcando de novo na Islândia em Agosto. Desta vez, para ficar por algum tempo.
Que possamos nos barzinhos de Reykjavík, sentir um pouco do calor tropical que tanta falta faz. No meio do gelo, teremos no próximo Inverno um cantinho para nos aquecer.
 
 Actuação de “Ela é carioca” de Tom Jobim no programa Kastljós da TV Islandesa-26/2/2008
 
Webpage de Tomas R. Einarsson
http://www.simnet.is/tomasreinarsson
 
MySpace de Tomas R. Einarsson
http://www.myspace.com/tomasreinarsson
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 02:52
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Mývatn – Um vídeo, um retrato do meu olhar

 

 

Por fim montei o vídeo de um dos locais mais especiais da Islândia. Falo do lago Mývatn., o qual já visitei 3 vezes, sempre acompanhado por pessoas de quem tanto gosto e que vieram visitar-me. Falo do Nuno, do Vítor e claro, o meu irmão.

Pude, em alturas distintas do ano, apreciar este santuário criado pelas forças da natureza, com diferentes cores, sensações e companhia.
Esta última vez, Iniciei a viagem ao lago Mývatn às 4 h da manhã, já que em Junho o sol nunca se chega a deitar. Eu e o Vítor, partimos aconchegados no silêncio sereno da alvorada, salpicado pelo canto endémico dos primeiros pássaros. Desde já, aconselho a madrugada como opção para visitar os fenómenos naturais da Islândia. Por exemplo, em Godafoss, pudemos apreciar as quedas de água com a luz do sol, o arco-íris e uma tímida lua persistindo em se mostrar de mansinho.
Como às 4 h da manhã não existem turistas pudemos, confortavelmente sós, sentir a natureza abençoada por uma luz que nos convidava a fotografar.
 
 
O lago Myvatn Situa-se a norte, no Distrito que lhe dá o nome e é, provavelmente, o segundo local mais visitado da Islândia (logo a seguir ao Golden Circle). Estamos então a falar de um cartão postal. Contudo, não deixa de ser uma área fascinante, mesmo para um viajante que não gosta de fazer o papel de turista. Criado por uma tão intensa quanto poderosa actividade vulcânica há cerca de 2300 anos atrás, continua, nos dias de hoje, a ser uma das regiões vulcânicas mais activas do planeta. A sua paisagem é dominada pelo lago, vulcões, crateras e pseudo-crateras, fumarolas, bocas sulfatadas de lama e lava que deixam no ar um vapor enxofrado, caves e cavernas com agua quente proveniente do sub solo e curiosas construções naturais, autênticos castelos de basalto e magma petrificados.
O lago tem 37 km2 e nunca ultrapassa os 4.5 m de profundidade. É desde 1974 Área de Conservação Nacional e uma atracção para os observadores de aves, fotógrafos e amantes da natureza.
Diferentes espécies de patos e outras aves podem ser apreciados em Mývatn. Algumas espécies são características daqui, como por exemplo, o Barrow`s Goldeneye (Bucephala Islandica). No Rio Laxá, podem-se encontrar trutas e salmões.
Durante o ano Mývatn apresenta uma programação constante. Assim, em Fevereiro tem o festival Viking. Em Março o Horses on Ice (o lago congela durante alguns meses, permitindo esta competição de cavalos no gelo), o snowmobile festival e o Easter Walk. Em Maio realiza-se a tradicional maratona de Mývatn e no final de Novembro chegam os 13 Pais Natais islandeses (Yule Lads) a Dimmuborgir.
 
Mas vamos seguir um pouco do trajecto que apresento no vídeo, começando por Godafoss.
 
 
Godafoss, é uma das quedas de água mais conhecidas da Islândia, e provavelmente a de mais fácil acesso, já que fica perto da estrada numero 1, a caminho de Mývatn. Reza a lenda que na altura das sagas Vikings, o chefe Porgeir Porkelsson, atirou nas suas águas todas as estátuas de Deuses pagãos, convertendo o cristianismo na religião oficial da Islândia. Estávamos no ano 1000 DC.
Godafoss não será das maiores quedas de água do país, mas seguramente, será das que mais gosto. É que tem um charme e singularidade únicas. Charme, savoir faire, subtileza e delicadeza não abundam na Islândia. Logo, Godafoss merece no mínimo uma menção honrosa! São 12 m de altura por 30 m de largura de um charme que inevitavelmente perdurará nas gavetas da memória...
Na minha opinião, o seu maior encanto desabrocha no Inverno.
 
 
Skútustadagígar, é o local onde se concentra a maioria das pseudo-crateras de Mývatn. A colocação de uma delas no Portugal dos Pequeninos em Coimbra, seria a escala proporcional de um grande cone vulcânico. Mas na realidade não são vulcões em miniaturas e sim bolhas formadas pelos rios de lava. Essa explicação não lhes retira qualquer fascinio.
 
 
Dimmuborgir, é um santuário de castelos negros, de basalto e magma petrificada. Esta lava em estado sólido que povoa a área, esculpiu bizarras formas cobertas, por vezes, de uma vegetação peculiar. Tem como atracção principal uma abóbada natural, a fazer lembrar uma igreja gótica. Este é um santuário povoado por elfos e onde em Novembro se reúnem os Yule Lads, os 13 pais-natais islandeses.
  
 
Formado numa erupção à 2500 anos atrás, Hverfell, é uma cratera vulcânica que com a sua forma circular, parece ter o formato de um gigantesco estádio de futebol. Tem aproximadamente 1000 m de circunferência por 140 m de profundidade. Ainda não foi nesta ultima viagem que subi a sua colina. Mas isso estará para breve.
 
 
Grjótagjá, é uma piscina natural numa caverna. As suas águas verde-azuladas vêm do interior da terra, a uma temperatura de aproximadamente 50 graus. Poderemos molhar a mão apressadamente, mas tomar banho, só para quem quiser ser cozinhado lentamente.
 
 
A Piscina Geotérmica de Mývatn, retira água 2500 m abaixo do solo, oferecendo com os seus minerais únicos, sílica e micro-organismos, um banho relaxante para a pele e para o espírito. Nesta área vulcânica, a água é muito sulforosa. Sendo assim, é aconselhável não levar colares e pulseiras de prata para o banho!
 
 
Námafjall, é a montanha que com dégradés de castanho, amarelo e vermelho, abriga no sopé solfataras, bocas de lama e lava borbulhante que deixam o ar empestado de um vapor com forte odor a enxofre.
Esta área que visualmente nos lembra Marte, abriga no subsolo lava que a qualquer momento poderá revoltar-se e subir, numa nova manifestação de vulcanismo.
 
 
Krafla, é também uma das mais activas áreas vulcânicas. Por esse motivo, tem nas suas imediações uma central geotérmica, que com os pipelines a ceú aberto criou uma paisagem humana, tão estranha quanto a área em que se situa.
O último período de erupção em Krafla foi entre 1975 e 1984. A cratera mais antiga é Leirhnjúkur e a mais recente Stóra-Víti.
 
Depois desta explanação, espero que usufruam o vídeo. Quanto a mim, tenho nova viagem agendada ao lago Mývatn em 28 de Julho. Com que novas vestes ir-me-á surpreender a natureza? Certo é que não irei ver abraçados, no meio do lago gelado, o casal de namorados de Março passado.

                                                        

Para este vídeo utilizei fotos tiradas nas 3 viagens que fiz a Mývatn (Março, Maio e Junho de 2008). Dessa forma, poderão apreciar a transformação operada pela natureza consoante a estação do ano. Já as filmagens foram apenas efectuadas na madrugada e manhã de 23 de Junho de 2008.

 

www.myvatn.is

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 22:23
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Domingo, 29 de Junho de 2008

Entre fiordes: Do Eyjafjördur ao Skagafjördur

 

 

Depois de algum tempo de ausência, a quantidade de posts em lista de espera aumentou significativamente. Ou seja, a fazer lembrar as listas de espera dos hospitais portugueses. Nem mesmo no exterior nos afastamos dos velhos hábitos lusitanos. Como não posso contratar ninguém para actualizar este blog, tentarei amenizar tal facto nos próximos dias (ou deveria dizer semanas?).
Muitas observações e impressões estão na cabeça e consequentemente em agenda para partilhar convosco.
Começarei por postar acerca de uma pequena viagem que fiz com o meu amigo Nuno, a viver actualmente na Finlândia e que veio visitar-me o mês passado.
Esta é uma viagem iniciada em Akureyri, percorrendo a margem Oeste do Eyjafjördur (fiorde Eyja) e a margem Este do Skagafjördur (fiorde Skaga).
Depois de alugarmos um automóvel, iniciamos esta viagem no norte da Islândia, entre os dois fiordes acima referidos. Percorremos todo o lado Oeste do Eyjafjördur, de encontro ao oceano glaciar árctico. A natureza ofereceu-nos um dia sem chuva, proporcionando uma viagem agradável. Antes de Dalvík fizemos algumas paragens para tirar fotografias, instantâneos das margens do fiorde abraçado pelas abertas montanhas ainda com neve. Algumas casas prefabricadas dispersas, revelam destinos de fim-de-semana dos islandeses. Ainda pela manhã chegávamos a Dalvík, uma das maiores cidades da região (aprox. 1500 habitantes), onde em 1934 um terramoto de 6.3 na escala de Richter, originou um desprendimento de terras da montanha, destruindo metade das habitações. Em frente a Dalvík, no meio do fiorde, encontra-se a ilha de Hrísey, uma reserva natural onde poderão ser apreciadas algumas aves. Para tal, basta apanhar o ferry boat numa curta viagem de 15 minutos.
Continuamos na direcção norte, na estrada que liga Dalvík à cidade de Ólafsfjördur. Paramos algumas vezes para admirar a vista, antes de entramos no túnel que nos fez abandonar o Eyjafjördur. A viagem iria sair agora da zona costeira já que iríamos até ao oceano glaciar árctico atravessando a montanha. Entramos no túnel de vários kilómetros, onde a pedra esburacada permitia apenas uma faixa de rodagem. Sempre que um carro vinha de frente, tínhamos de aproveitar umas plataformas construídas para dar passagem ao sentido com prioridade. Os túneis na Islândia são assim e tirando a estrada número 1 que circunda a Islândia, praticamente todas as outras vias tem zonas em terra batida (isto se não forem completamente em terra batida). Está visto, esqueceram-se de trazer os sucessivos governos de Portugal, bem como a Mota e Engil para cá. Não me parece contudo, que o facto tenha resultado num inferior índice de desenvolvimento económico!!!
 
Uma belíssima composição. Hraun: O lago Mikla com as suas aguas congeladas e o oceano glaciar árctico. Um cenário de contornos épicos que a máquina fotográfica não consegue captar na plenitude.
 
Depois de cruzarmos Ólafsfjördur e a montanha deparamo-nos com uma das mais belas, magnânimas e épicas vistas que já presenciei. Trata-se de Hraun e no miradouro apanha-se Miklavatn (lago Mikla), delimitado a norte por uma estreita língua de terra que o separa do oceano glaciar árctico. As montanhas de contornos tão cinemáticos quanto épicos, bem como o majestoso cenário aberto, jamais poderá ser captado por um instantâneo fotográfico. Esse, dar-nos-á sempre uma outra realidade. A água gelada do lago contrastava em textura com os movimentos ténues da água do oceano glaciar árctico. Este cenário foi um dos que mais me impressionou durante o dia.
Extasiados seguimos até ao fim da estrada que desembocava em Siglufjördur. A cidade (com o nome do belíssimo fiorde) tem nos dias actuais 1800 habitantes. Achei um encanto este recanto no belo e adormecido fiorde. Em breve, pretendo passar aqui um fim-de-semana.
Voltamos depois para trás, percorrendo parte do caminho que nos trouxe. Fomos então no encalço do Skagafjördur. Já passava do meio da tarde, mas nesta altura do ano o norte da Islândia já não tem noite. Ao chegarmos a este fiorde os nossos olhos são recebidos pela ilha de Málmey, um rochedo de lava com 4 km de comprimento. Na direcção da vila de Hofsós passamos por mais ilhotas que nascem nas águas do fiorde. Dranguey é um dos exemplos. Como já era tarde (fizemos muitas paragens para sentir os lugares) não fomos a Hólar, durante mais de 600 anos o centro religioso do norte. A sua catedral que dizem ser charmosa, data de 1763 e a vila foi fundada no ano de 1106.
A jornada já ia longa e percorremos a estrada até ao final do fiorde apanhando depois a numero 1, atravessando as montanhas em direcção a Este, de regresso a Akureyri.
Um belo passeio que ambos adoramos.
 Ficam algumas fotos e um pequeno vídeo que fiz, registo sempre aquém das sensações apenas possíveis estando fisicamente na Islândia. É que só assim podemos sentir as suas formas, cores, espaços, cheiros e sons.
  

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 02:42
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

A Islândia na TV Globo

 

Uma equipa de jornalistas da TV Globo está na Islândia e o resultado tem sido uma série de pequenas reportagens apresentadas no Jornal Nacional da Globo no Brasil (correspondente ao Telejornal em Portugal).
Deixo-vos neste post duas das reportagens que foram apresentadas.
A primeira fala-nos do Elding, um navio equipado com motorização eléctrica, movido a hidrogénio, usado para transporte de turistas na observação das baleias. Com o silêncio do motor, é possível uma aproximação maior a estes mamíferos sem os afugentar, para gáudio dos privilegiados turistas.
A segunda reportagem fala-nos que a água quente na Islândia é gratuita, devido ao subsolo fervilhante, reflexo da origem vulcânica da ilha (esta é uma pérola da DESinformação. É falso! Aliás, como refere em comentário anexo o meu amigo Fernando).
Já agora, algumas chamadas de atenção que gostaria de fazer.
Já postei sobre as fábricas de alumínio que estão a ser construídas na Islândia. Ou seja, uma indústria que não está isenta de poluição. Além disso, o fornecimento da energia para esta indústria está a implicar a destruição de ecossistemas com a construção das barragens. É preciso assim, ter algum cuidado quando se afirma ser  a Islândia, o maior exemplo de protecção do meio ambiente. As coisas mudam (é que nem só em Portugal se vive por ciclos políticos). Não quero com isto dizer que não existem cuidados ecológicos. Apenas não seria tão taxativo e mostraria que aqui a balança também pode ter dois pratos, mesmo que ainda desnivelados em favor do ar puro que se respira.
O géiser Strokkur, referido na segunda reportagem, não tem essa precisão de 3.12 minutos entre cada jacto expelido pela boca. Nem sempre os livros ensinam correctamente e eu próprio já assisti a 2 jactos expelidos quase em simultâneo. Além disso, nos dias de hoje ele não atinge os 74 m de altura.
Se a Islândia é de facto, um país com um enorme potencial para o turismo ecológico e cultural, também não deixa de ser verdade que não deve ser apresentado como um país modelo, onde tudo é perfeito nos campos do ambiente e das energias renováveis não poluentes.
 
 http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM829910-7823-ISLANDIA+APRESENTA+NAVIO+MOVIDO+A+HIDROGENIO,00.html
 
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM830334-7823-NA+ISLANDIA+A+AGUA+QUENTE+E+DE+GRACA,00.html
 
Por ultimo, descobri uma reportagem do Fantástico, também da Globo, feita à 30 anos atrás na Islândia. Uma reportagem que acho muito sóbria e com uma análise com a qual concordo. É claramente um bom trabalho jornalístico e com um ritmo e uma montagem que me agrada. Claro que algumas coisas mudaram. Por exemplo, já se vende cerveja na ilha, a poluição é ligeiramente maior e existem agora estrangeiros a trabalhar aqui. Mas não deixa de ser incrível, a quantidade de coisas que ainda se mantém e que fazem que esta reportagem seja actual em muitas coisas. A análise da sociedade islandesa está perspicaz.
Uma coisa é a imagem que se vende para o exterior. Outra coisa é a realidade dentro de portas.

Já agora, os comentários do especialista em criminologia e professor da Universidade de Reykjavík, nomeadamente sobre a família na Islândia e no exterior, parecem-me um pouco etnocêntricos. Nada que me admire!

 

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM741710-7823-NA+TERRA+DOS+VIKINGS,00.html

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 18:50
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