Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

Dia Nacional da Islândia em Akureyri

 

 

É no dia 17 de Junho de cada ano que a Islândia comemora o seu Dia Nacional. Esta foi a data escolhida, por ser o aniversário de Jon Sigurdsson, proeminente líder do movimento de independência no séc. XIX.

 

Foi em 1944, numa altura que a Dinamarca estava ocupada pelas tropas alemãs, que a Islândia fez a sua proclamação da independência. O primeiro presidente da jovem republica  foi Bjornsson Sveinn.

 

Como é normal em nações ainda recentes, a Islândia tem um grande orgulho nacional e o 17 de Junho tem a participação da quase totalidade da população. Durante todo o dia não faltam discursos, paradas musicais, atividades para as crianças, manifestações artísticas e recitais diversos. Muitos adultos e crianças aproveitam para vestir os seus trajes tradicionais.

 

Resolvi fazer uma pequena montagem vídeo com algumas fotos que tirei em Akureyri, durante o Dia Nacional da Islândia 2012. Espero que gostem!

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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Cod Wars: As guerras do bacalhau

 

Pelo menos, desde o inicio do XV, pescadores de todo o mundo tem vindo pescar nas aguas ricas de peixe em redor da Islândia. As capturas feita pelos pescadores estrangeiros foram crescendo ao longo dos séculos, especialmente no final do século XIX, com o incremento das novas traineiras a vapor. Apenas durante as duas Grande Guerras Mundiais ouve um recuo. Mas depois destas terminarem, os barcos e traineiras (com alemães e britânicos à cabeça), regressaram em grande número, em busca do principal recurso dos islandeses.

 

Guerra do bacalhau: com abalroamentos entre vasos de guerra britânicos, barcos da guarda costeira islandesa e as traineiras de pesca.

 

Limite das aguas territoriais islandesas de 3 para 4 milhas - 1952

 

Os limites das aguas territoriais não eram precisos antigamente e dos séculos XVII até ao século XIX, eram normalmente considerados até 16 milhas de distancia do perímetro da costa. Mas a situação mudou quando, em 1901, a Dinamarca faz um tratado com o Reino Unido, em que ficou definido que as aguas territoriais islandesas seriam de apenas de 3 milhas para lá do perímetro da ilha. Como resultado deste acordo, nunca antes, próximo da Islândia, havia sido pescado tanto peixe, como no inicio do século XX. Isso fez com que os grandes cardumes próximo da costa fossem devastados pela excessiva captura. Os islandeses tinham noção que esta situação tinha de ser alterada, mas estavam amarrados pelo tratado. O primeiro passo para inverter esta situação é dado após a independência, com a nova legislação de 1948, onde é prevista uma proteção de cariz cientifico para os locais de desova e de proteção e racionalização de cardumes em redor do país. O segundo passo é a extensão do perímetro de aguas territoriais em mais 1 milha náutica em 1952, primeiro na costa norte e depois em redor de toda a ilha. Ao mesmo tempo, todos os fiordes são fechados a traineiras e barcos de pesca. O que se revelou uma medida acertada para proteger os viveiros e locais de desova de diversas espécies, como o bacalhau.

 

Todas as nações aceitaram os novos limites, exceto os britânicos que protestaram veemente e como retaliação, passaram a boicotar as exportações de peixe pescado pelos islandeses. Inicialmente isto originou um impacto negativo na economia islandesa, já que os pescadores islandeses vendiam bastante da sua captura nos mercados britânicos, mas novos mercados depressa apareceram como os EUA (para o peixe fresco), a URRS e outros países (para peixe em conserva e congelado). Sendo assim, o boicote acabou por não ser uma arma de impacto na economia islandesa, como esperavam os britânicos.

 

Limite das aguas territoriais islandesas de 4 para 12 milhas - 1958

 

No anos 50 iniciou-se o debate internacional acerca das aguas territoriais e os limites (cotas) de pesca. Em 1958, na Convenção Internacional de Geneve, a maioria das nações foram favoráveis aumento das aguas territoriais para 12 milhas além do perímetro da costa de cada país. A Islândia decide fazê-lo no dia 1 de Setembro de 1958, e as embarcações de pesca estrangeira respeitaram estes novos limites, exceto os britânicos. Para evitar que a Guarda Costeira islandesa capturasse os barcos e os arrastasse para o porto mais próximo, os britânicos enviam vasos de guerra de forma a proteger os seus barcos de pesca.

 

Um clima de "guerra fria" instala-se nas aguas territoriais islandesas a que se denomina de Guerra do bacalhau (cod war). O conflito teve vários episódios, destacando-se quando os marines aprisionaram a tripulação de um barco da guarda costeira islandesa, por estarem a rebocar um barco de pesca britânico para o porto mais próximo. Após terem mantido os elementos da guarda costeira a bordo durante algum tempo, deram-lhes um pequeno barco a meio da noite e ordenaram que rumassem até à costa. Esta "guerra do bacalhau" durou até 1961, altura em que foi assinado um tratado, em que os ingleses reconheceram as 12 milhas de aguas territoriais islandesas, mas em contrapartida era-lhes concedido o direito a pescar em certas áreas, entre as 6 e as 12 milhas, nos 3 anos seguintes. No mesmo tratado, foi feita uma clausula questionável, em que obrigava a Islândia a não estender mais os limites das suas aguas territoriais no futuro. Caso não respeitasse estaria sujeita a sanções. Esta clausula abusiva, iria causar dificuldades futuras.

 

Limite das aguas territoriais islandesas de 12 para 50 milhas - 1972

 

Em 1970, os políticos islandeses começam a discutir a necessidade de aumentar ainda mais o limite das suas aguas territoriais, de forma a proteger e restabelecer os cardumes, já que estes necessitavam de mais proteção. Em 1971, com a tomada de posse do novo governo, decide-se estender, no ano seguinte, os limites de 12 para 50 milhas. A Islândia assumiu assim a liderança na decisão de aumentar as aguas territoriais, numa altura em que a maioria dos países se mantinha nas 12 milhas. Os alemães e os britânicos protestaram, reforçados pelo tratado de 1961 que originaria sanções por um Conselho internacional. Mas a Islândia recusou apresentar-se a qualquer Conselho internacional, argumentando que eles não deveriam interferir nesta matéria. Mas o Conselho internacional reuniu-se e num veredito preliminar, concede o direito de pescar determinadas quantidades de pescado, entre as 12 e as 50 milhas, aos barcos britânicos e alemães. Independentemente disso, os islandeses resolvem unilateralmente, estabelecer os limites das suas aguas territoriais em 50 milhas além do perímetro da ilha, com efeito a partir de 1 de setembro de 1972. Os britânicos e os alemães não respeitaram, e as suas traineiras recomeçaram a ser escoltadas, uma vez mais, por vasos de guerra dentro dos limites estabelecidos pelos islandeses. Assim, um novo conflito se inicia.

 

Os islandeses tinham, desta vez, produzido uma arma secreta. Um arpão preparado para rasgar as redes dos barcos de pesca estrangeiros. Esta arma demonstrou-se eficaz, mesmo quando estas embarcações pescavam em conjunto e escoltadas de perto pelos barcos de guerra. Farto dos distúrbios originados pela guarda costeira islandesa, os pescadores pedem mais proteção aos seus governos e em 1973 são enviadas fragatas de guerra britânicas para dentro dos limites das 50 milhas. Aos pescadores foi-lhes dito que pescassem em grupo de forma a poderem ser protegidos, mas obviamente que em pequenos espaços e com movimentos limitados, as capturas não era compensatórias. enquanto o braço de ferro entre islandeses e britânicos se mantinha foi dada ordem para o embaixador islandês em londres regressar e posteriormente foi combinada uma reunião entre os primeiros ministros de ambos os estados em Inglaterra. Um novo tratado foi realizado. Os ingleses comprometiam-se a respeitar os novos limites, mas durante os 2 anos seguintes era-lhes permitida a captura em determinadas áreas especificas, dentro dos limites das aguas territoriais islandesas. Isto, desde que não fossem usados grandes arrastões. Este acordo com os britânicos não se estendeu aos alemães, pelo que a Guerra do bacalhau continuou.

 

Por esta altura, o Conselho internacional pronuncia-se dizendo que a decisão dos islandeses foi ilegal.

 

Limite das aguas territoriais islandesas de 50 para 200 milhas - 1975

 

Em 1974 aconteceu a Convenção de Caracas, organizada pela ONU, com o objetivo de estabelecer uma lei única e geral a todos, no que respeita aos mares. Uma grande parte dos países defende que os limites das aguas territoriais deveria de ser 200 milhas, para lá da linha costeira dos estados. Reforçada pela Convenção de Caracas, a Islândia decide, mais uma vez, alargar o limite das suas aguas territoriais das 50 para as 200 milhas, com efeitos a partir de 15 de Outubro de 1975.

 

esta nova decisão tornava-se efetiva logo após o termino do contrato, com validade de 2 anos, feito com os britânicos em 1973. uma nova Guerra do bacalhau começou e os barcos de guerra britânicos regressaram para as proximidades da Islândia, com o intuito de proteger os seus barcos de pesca, da guarda costeira islandesa. Desta vez, os islandeses fizeram acordos com a Bélgica, a Alemanha e outros países, em que em troca do reconhecimento das novas aguas territoriais, lhes seria permitido capturas limitadas dentro das suas aguas territoriais, nos anos estipulados nos acordos. O embaixador islandês mais uma vez é chamado para o seu país reiniciando-se, nos mares da Islândia, uma fase de provocação entre os vasos de guerra britânicos e a guarda costeira islandesa. De referir ser impressionante ver os 3 barcos da guarda costeira islandesa a abalroar os grandes barcos de guerra britânicos. Refira-se que, tanto o rasgar das redes, como o abalroar dos vasos ingleses, passaram a ser episódios ainda hoje lembrados na Islândia. Os capitães e as suas tripulações, de 1958 e de 1972, eram tratados como heróis nacionais.

 

O agudizar desta conflito era vista com alguma apreensão pela NATO, até porque a base americana de Keflavík era, durante a guerra fria, de grande importância estratégica. Existia o receio que a Islândia pudesse deixar de cooperar com a NATO. Assim, esta entidade, inicia conversações entre os dois países da sua organização, com o objetivo de pacificar a situação. Ao mesmo tempo, o clima internacional começava a jogar a favor dos Islandeses. Cada vez mais países, estipulavam os mesmos limites para as suas aguas territoriais. Por fim, a União Europeia estabelece esse limite como a jurisdição legal de cada país em 1977. Nessa altura, os britânicos são obrigados a aceitar as aguas territoriais islandesas e a Guerra do bacalhau aproxima-se do seu final. As negociações entre os dois países decorrem em Oslo, iniciando-se em 1 Junho de 1976. Um tratado foi assinado e no dia 1 de Dezembro de 1976 o ultimo barco de pesca britânico sai das aguas territoriais islandesas.

 

Esta é considerada uma vitória total dos islandeses e um dos maiores orgulhos da sua história.

 

Epílogo

 

Em 25 anos, a Islândia aumentou as suas aguas territoriais de 3 para 200 milhas. A guarda costeira, com a solidariedade de toda a nação, teve um papel preponderante. Não se pode, também desprezar, as tendências da lei internacional, que nesta matéria foram indo ao encontro das decisões islandesas. Por último, refira-se a simpatia e apoio que foi recebendo, já que se tratava de um país pequeno a confrontar uma grande potência.

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 23:52
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Quinta-feira, 15 de Março de 2012

"Ruiva", a baleia demoníaca do Hvalfjördur

 

 O Hvalfjörður (fiorde da baleia)

 

Os Contos populares islandeses são um imaginário riquíssimo, de estórias mágicas povoadas por elfos, trolls, fantasmas e espíritos de uma fantástica diversidade.

Numa "postagem" anterior falei sobre a relação dos islandeses com os elfos, introduzindo o imaginário mitológico das crenças populares islandesas. Hoje vou "narrar-vos" um dos contos populares com que brindo os clientes, sempre que depois de sair de Reykjavík, atravesso o túnel que passa por baixo do Hvalfjörður. Este túnel é hoje a porta de entrada para a denominada costa oeste (west coast) islandesa.

 

Contextualização histórico-geográfica

 

A estória tem lugar no fiorde Hvalfjörður. Com a abertura do túnel em 1998, a estrada nº1 - "ring road", que circunda a ilha, atravessa por baixo o fiorde. Mas antes, era necessário percorrer a estrada nº 47, que contorna e leva os visitantes aos lugares mencionados no conto.

Hvalfjörður significa "fiorde da baleia". Tem cerca de 30 km de extensão, 4-5 km de largura e 80 m de profundidade máxima. No final do fiorde as montanhas são íngremes, quase até à agua e ramifica-se em 2 partes: Brynjudalsvogur e Botnsvogur. O fiorde é assim secundado por montanhas esplêndidas: Byrill e Reynivallasháls no sul, múlafjall, Hvalfell (montanha da baleia) e Botnssúlur a norte. Para lá das montanhas, a leste do fiorde, fica o Hvalvatn (lago da baleia), com cerca de 160 m de profundidade. O rio Botnsá desliza desde o lago formando a cascata de Glymur, a mais alta da Islândia com 198 m de altura. A origem do nome do lago, da montanha e do fiorde é explicado pelo conto.

 

 O Hvalfjörður no Verão

 

O Conto

 

Era uma vez...

Alguns homens de Suðurnes na península de Reykjanes foram até Geirfuglasker * para apanhar Great Auk Skerries. Na hora do regresso um dos homens ficou perdido e voltaram sem ele, acreditando que tinha morrido.
um ano mais tarde os mesmos homens regressaram até Geirfuglasker e encontraram o companheiro desaparecido vivo. Segundo a lenda, os elfos tinham lançado um feitiço, apanhando e abrigando-o durante essa temporada. Mas ele não estava satisfeito com os elfos e decidiu regressar com os restantes companheiros. Constou que ele, nesse entretanto, tinha engravidado uma mulher elfo que o fez prometer baptizar a criança se um dia ela a levasse até ele, junto de uma igreja.

Uns anos mais tarde, houve uma missa na igreja de Hvalsnes e um berço apareceu à porta da igreja com a seguinte nota: "O homem que for o pai deste bébé deverá certificar-se que ele é baptizado". As pessoas ficaram atónitas e o padre suspeitou que o bebé pertenceria ao homem que passou um ano em Geirfuglasker. O padre pressionou o homem a admitir ser o pai mas este negou. Nesse momento apareceu uma mulher muito alta, luminosa e entroncada. Ela virou-se para o homem e disse: " vou lançar um feitiço e vais transformar-te na mais temível das baleias do oceano e afundar muitos navios". Depois apanhou o berço e desapareceu sem deixar qualquer rasto. todas as pessoas assumiram ser a mulher elfo de Geirfuglasker, onde o homemtinha passado um ano. logo após o desaparecimento da mulher o homem começou a contorcer-se como se tivesse enlouquecido e desatou a correr aos saltos em direcção ao mar. Quando lá chegou saltou de um penhasco denominado de Hólmsberg, situado entre Keflavík e Leira, transformando-se instantaneamente na pior e na mais diabólica das baleias. Foi baptizada de "Ruiva", por causa de um chapéu vermelho que o homem levava colocado na cabeça, quando se atirou ao mar. A baleia tornou-se um flagelo e reza a lenda que afundou mais de 19 navios entre Seltjarnarnes e Akranes.

Com o passar do tempo, a baleia passou a abrigar-se num fiorde entre Kjalarnes e Akranes e assim nasceu o nome de Hvalfjörður (fiorde da baleia). Nessa altura, vivia um padre em Saurbær, nas redondezas do fiorde. Esse padre, de poderes sobrenaturais, era velho e cego e tinha três filhos. 2 rapazes e uma rapariga. Às vezes, os seus filhos iam pescar no mar, à saída do fiorde e um dia foram apanhados pela baleia assassina, tendo morrido afogados. O padre sofreu uma dor profunda com a morte dos filhos e pediu à filha que o guiasse até às aguas do fiorde, que próximo da quinta de Saubær, onde moravam. Levou com ele uma pau de madeira e percorreu o caminho com a ajuda da filha. Lá chegados, espetou o pau no chão, dentro da agua e regressou para trás. Nessa altura, perguntou à filha como estava o mar. Ela respondeu que parecia um espelho de agua, calmo e sereno. Passado mais uns minutos o pastor volta a fazer a mesma pergunta à filha e ela respondeu que estava a ver uma grande sombra negra a emergir até à tona da agua como se fosse um enorme peixe. Quando a filha disse que essa enorme sombra negra tinha vindo ao encontro deles, o padre pediu que o levasse terra adentro percorrendo a linha da costa do fiorde. A sombra negra acompanhou-os o tempo todo, até ao fim do fiorde. Consoante o fiorde ia ficando mais estreito e a agua menos profunda a menina reparou que a sombra tinha a forma de uma enorme baleia que nadava ao longo do fiorde como se estivesse sendo guiada. ao chegarem ao fim do fiorde, onde desemboca o rio Botnsá o padre disse à filha que o conduzisse para a margem oeste do rio. Lá chegados, o velho padre começou a escalar a montanha acompanhado da baleia, que dava difíceis saltos na agua, para acompanhar o velho padre. O curso de agua era pequeno e a baleia enorme. Quando chegaram à garganta onde a cascata deixa cair as suas aguas vindas do topo da montanha, o espaço era tão ínfimo para o cetáceo que este começou a abanar e a debater-se com forca para subir o curso de agua. Quando finalmente subiram a cascata, tudo à volta começou a estremecer como se fosse um grande tremor de terra. Das rochas saiu um grande troar, como se de uma trovoada se tratasse. Daí o nome da cascata - Glymur (rugido/troar) e as encostas que circundam a cascata são conhecidas como Skálfandahæðir (encostas que tremem/estremecem). Mas o padre estava decidido e não parou até levar a a baleia até ao lago de onde o rio Botnsá nascia e que desde então é denominado de Hvalvatn (lago da baleia). uma das encostas do lago tem também o nome de Hvalfell (encosta da baleia). É que quando a "Ruiva" entrou no lago, fê-lo através desta colina.

Quando o velho padre regressou à Quinta com a sua filha todos os habitantes da região e regiões adjacentes ficaram eternamente agradecidos.

Nunca mais ninguém via "Ruiva" a baleia demoníaca, mas foram encontrados recentemente uns impressionantes ossos de baleia no lago, comprovando e reforçando a veracidade desta lenda.

 

* Geirfuglasker era um ilhéu ou um conjunto de rochas solitárias, localizadas a sul do arquipélago de Vestmannaeyjar. e que desapareceu no mar devido a uma erupção vulcânica marinha em 1830. O nome traduzido significa Great Auk Skerrie (Pinguinus impennis). uma ave marinha mítica na Islândia, que se acredita extinta e da família dos pinguins.

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 09:46
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Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

Formação Geológica da Islândia – Parte1

O delicado equilíbrio entre vulcões e glaciares

 

O vulcão Fimmvörduháls no Eyjafjallajökull - Islândia

 

Os vulcões na Islândia

 

A Dorsal Mesoatlântica

Em 1912 o cientista alemão Alfred Wegener reparou que as massas continentais pareciam encaixar-se umas nas outras. Isso, levou-o a teorizar que os continentes já tinham estado unidos e que uma força invisível os estava a separar. Só em 1946, altura em que a marinha dos EUA mapeou o fundo do oceano pela primeira vez, usando uma tecnologia de imagem por sonar, foi revelada a existência de uma cordilheira de montanhas submarinas com mais de 16.000 km de extensão, separadas por uma gigantesca fenda que passa pelo centro do oceano atlântico. Essa fenda é a Dorsal Mesoatlântica que delimita as placas tectónicas americana e euroasiática. No fundo do oceano correntes de convexão de rocha derretida (magma) abrem a crosta terrestre e deixam que o magma se infiltre apartando os continentes. Em 1974, um pequeno submarino oceanográfico conseguiu descer às profundezas do oceano para estudar a fenda. Nessa altura, foi possível constatar os gases vulcânicos quentes a borbulhar no oceano, demonstrando que a dorsal mesoatlântica é altamente vulcânica e capaz de apartar massas de terra gigantescas como os continentes.

Uma vasta planície composta por lava vulcânica ocupa o centro da Islândia, onde grandes fendas dão uma textura fora do comum à paisagem.

A fenda de Thingvellir é a continuação da dorsal mesoatlântica e o mesmo processo que afasta a América da Europa acontece neste local emblemático dos islandeses. Thingvellir e a Islândia estão a crescer cerca de 2,5 cm por ano, existindo cada vez mais fendas na rocha do vale.

Correntes convectivas de rocha líquida empurram e dividem a dorsal mesoatlântica. O magma invade as fendas e preenche-as, pois à medida que se aproxima da superfície endurece e forma nova área.

 

O Hot Spot da Islândia

A composição da rocha na Islândia é diferente da de outros lugares. É através da análise das rochas que sabemos se ela se formou em local profundo ou se perto da superfície.

As rochas analisadas do vulcão Hekla revelaram concentrações altas de propriedades raras como a Lantánio e o Césio, elementos químicos formados apenas no magma a grandes profundidades. É a confirmação que outra fonte de calor muito mais profunda se combina com a dorsal mesoatlântica e alimenta os vulcões do país.

Quando as placas tectónicas se movem geram ondas de choque denominadas de ondas sísmicas. Estas ondas deslocam-se em velocidades constantes, a não ser que atinjam uma zona de rocha líquida (magma), causando a diminuição da velocidade, como acontece na Islândia. Quer isso dizer que existe rocha muito quente ou material em ebulição por baixo da superfície. É o Hot Spot da Islândia.

Hot spots são colunas de material quente e/ou magma fundido q vem das profundezas da terra e jorra para a superfície. Existem na Islândia, Hawai e em Yellowstone.

O Hot Spot q se encontra em baixo da ilha tem 160 km de largura e mais de 600 km de profundidade. Lentamente a coluna lança rochas a mais de 900 º C, isso empurra a crosta terrestre, aquece a terra por baixo e força o magma até à superfície, expelido como lava.

 

A combinação das duas forças: A Dorsal mesoatlântica e o Hot Spot da Islândia

Há milhões de anos a dorsal mesoatlântica desviou-se para oeste em direcção ao hot spot da Islândia. Quando se encontraram, formaram uma parceria que se mantém até hoje, originando uma força capaz de criar magma em escala monumental e que começou a construir a ilha debaixo da água e empurrou-a para a superfície.

A passagem da dorsal pelo hot spot origina o efeito de descompressão. O Hot spot leva calor do centro da terra para a superfície e também cria fusão, a combinação entre descompressão da rocha abaixo da superfície e o transporte de calor vindo debaixo da terra cria uma grande quantidade de magma.

Em 1963 o mundo viu uma repetição em escala pequena de como terá surgido a Islândia, com Surtsey (sobre Surtsey ver o post neste blog:http://iceland-views.blogs.sapo.pt/9990.html).

 

 

Assim, foi a conjugação destas duas forças colossais que deu origem há Islândia há cerca de 20 milhões de anos. A Dorsal mesoatlântica e um profundo hot spot.

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 22:53
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

De Thule a Iceland – História da Islândia 1

 

  

Islândia / Iceland / Ísland
IS em islandês significa gelo ou gelado
Islândia = terra do gelo ou gelada
 

Depois de algum tempo semi-ausente, irei reactivar este blog, talvez influenciado pela chegada das aves, atraídas pelo primeiro sopro da primavera do árctico.

Entretanto, as eleições islandesas aproximam-se sem grande alarido. Nas ruas não existem cartazes, nem viaturas a debitar as “palavras de ordem” dos candidatos ao parlamento. Serão os efeitos do colapso económico que no dia a dia, talvez resguardado pelos fiordes, teima em não se fazer notar?

Quer em Reykjavík, como em Akureyri, não compreendo a inexistência dos sinais reais da falência de todos os bancos do país. Praticamente, só o abandono a meio de todas as obras de construção civil nos relembra que alguma coisa não está bem. Será que os islandeses têm consciência disso?

Com o reactivar do blog vou postar, periódica e intercaladamente, a história deste país em capítulos. Neste primeiro capítulo irei dar a conhecer os nomes de baptismo que o jovem país já teve. Daí o nome – de Thule a Iceland.

A Gronelândia (Greenland = Terra Verde) foi baptizada de forma a atrair mais colonos. Tendo em conta a sua latitude, o clima da Islândia é temperado, mantendo-se verde muito mais tempo do que a Gronelândia. Sendo assim, façamos uma viagem no tempo, para compreender o nome de “Terra do Gelo”.

 

Ultima Thule

 

Geologicamente a Islândia é o país mais recente da Europa. É também, o ultimo a ser povoado, tendo a sua colonização acontecido durante a idade média. Contudo, acredita-se que a referência à “ilha mais a norte do mundo” que o explorador Pytheas de Massalia (300 AC) denominou de Thule ou Ultima Thule, se tratasse desta ilha de tantos contrastes.

Este nome foi usado até à primeira fase da idade média, nomeadamente, pelos irlandeses que foram cristianizados muito cedo.

Os monges irlandeses, na procura de servir Deus no isolamento das suas orações, rumaram nos seus currachs (pequenos barcos) até às ilhas Faroe (ilha das ovelhas), ainda no séc. VII. Levaram consigo ovelhas, livros e os utensílios necessários para as temporadas, mais ou menos alargadas de contemplação religiosa. Crê-se que terão chegado à Thule (Islândia) durante o século VIII.

Quando os nórdicos chegaram à Ilha, a convivência tornou-se insuportável para os papar (nome atribuído pelos vikings aos monges irlandeses e que significa “pais”), já que os escandinavos eram rudes e pagãos. O choque, fez os irlandeses abandonar a Islândia à pressa, como comprova o facto de deixarem os livros, cruzes, lamparinas e outros utensílios para trás.

Os nórdicos não consideram estes monges irlandeses como os primeiros colonos, na medida em que as suas estadias eram intermitentes e posteriormente abandonadas.

A influência da cultura irlandesa desapareceu tão rápido como a fuga dos monges.

Com o vídeo fica a promessa de um post nos próximos dias, sobre a formação geológica da Iceland e o delicado equilíbrio entre o gelo dos glaciares e o fogo dos vulcões.

 
Monges irlandeses nos seus currachs (pequeno barco).
 

Snowland

 

Em meados do séc. IX o viking Naddoddur perdeu-se na viagem da Noruega para as ilhas Faroe, vindo parar na costa este da Islândia.

Naddoddur é considerado o primeiro Viking que desembarcou na ilha.

Procurando saber mais acerca desta terra desconhecida, explorou os arredores na costa, acabando por subir ao cimo de uma montanha, procurando vestígios de fumo ou algum sinal de vida. A única coisa que encontrou foi a neve em derrocada pela encosta da montanha. Assim, acabou por baptizar esta nova terra para os escandinavos de Snowland, regressando à Noruega.

 

Gardar`s Island (Gardarshólmi)

 

O segundo Viking a rumar à Islândia (pelo menos, suficientemente Nobre e com viagem preparada) foi Gardar Svavarsson, de origem sueca. Foi Gardar que fez a viagem de circum-navegação à Snowland, vindo a constatar tratar-se de uma ilha.

Durante o Inverno estabeleceram-se no norte, numa baía que denominaram de Husavík (baía casa), hoje capital do Whale Watching.

Ao partirem, Náttfari ficou perdido em terra com 2 escravos, esquecidos por Gardar. Talvez por Nátffari não ser suficientemente nobre ou por ter ficado involuntariamente, não é considerado o primeiro colonizador da Islândia.

Quando Gardar acabou a viagem de circum-navegação, rebaptizou a ilha de Gardarshólmi (ilha de Gardar), nome que viria a ser adoptado pelos nórdicos na época.

 
 
Representação da viagem do Viking Flóki Vilgerdarson, denominado de Raven-Flóki, devido ao episódio de lançamento dos corvos, que o levou a encontrar a Islândia.
 

Iceland (Islândia)

 

Flóki era um devoto do mais antigo paganismo e levou 3 corvos com ele. Diz a lenda que próximo da nova terra lançou-os, um por um, para que indicassem o caminho a fazer, de modo a não se perder.

Após ser lançado no ar, o primeiro dos corvos voltou para trás, talvez rumo às ilhas Faroe, o local de partida desta expedição. O segundo voou em círculos e regressou ao barco. O terceiro voou em direcção à ilha, indicando o caminho ao navegador.

Flóki percorreu a península de Reykjanes, a costa sul da Islândia e acabou por desembarcar num fiorde no noroeste islandês, onde a terra era fértil e a natureza convidativa.

Todo o verão foi passado a pescar e a caçar, sem contudo terem em conta o Inverno rigoroso que se aproximava. Nesse Inverno os animais morreram de fome e frio e Flóki e os seus homens passaram imensas dificuldades.

Quando a primavera, por fim chegou, começaram a preparar o regresso. Nessa altura, Flóki subiu ao topo da montanha e olhando o fiorde do outro lado, encontrou-o repleto de gelo. Frustrado, deu o nome de Iceland (Terra do Gelo) ao novo país.

O nome manteve-se até aos dias de hoje.

 

A partir daqui começa a “idade da colonização”, sendo o primeiro colonizador Ingólfur Arnarsson, acompanhado do seu meio-irmão Hjörleifur Hródmarsson que desembarcaram na ilha no ano de 870.

Mas esse estória ficará para um post futuro.

 

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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Surtsey - A ilha vulcão e a exposição em Reykjavík

A Ilha vulcão de Surtsey

  

 Uma erupção de lava em 24 de Abril de 1964, numa vista para nordeste de Surtsey. No canto superior direito pode ver-se uma fotografia aérea de 29 de Agosto de 2002.

 

A Islândia é geologicamente, o país mais recente da Europa. Formou-se, devido a uma série de erupções vulcânicas, há cerca de 20 milhões de anos.
A dorsal meso atlântica que maioritariamente é submarina emerge na Islândia. Essa dorsal separa na ilha, a placa tectónica norte-americana da placa tectónica euro-asiática. As placas estão em movimento o que origina a actividade vulcânica intensa ao longo da dorsal (é a mesma que passa pelo os Açores). Sendo assim, a Islândia está em actividade vulcânica permanente.
Por isso costuma-se dizer que a Islândia continua em formação. A confirmação é Surtsey, a ilha vulcão que veio aumentar um pouco mais as dimensões do país, decorria o ano de 1963.
Surtsey (baptizada em homenagem a Surt, o gigante do fogo da mitologia nórdica) integra a mais recente lista da UNESCO do Património Mundial da Humanidade. É a mais recente ilha do oceano atlântico e a parte mais meridional da Islândia, pertencendo ao arquipélago de Vestmannaeyjar (ver neste blog o post: O pequeno arquipélago de Vestmannaeyjar - http://iceland-views.blogs.sapo.pt/5470.html).
  

Vídeo da formação da ilha de Sustsey numa das erupções vulcânicas mais acompanhadas de sempre 

 

Foi a 14 de Novembro de 1963 que a pequena ilha emergiu no Oceano atlântico, numa erupção que começou a 130 m de profundidade. As violentas explosões causadas pelo rápida expansão do vapor sobreaquecido, produzido pelo contacto da água do mar com a lava incandescente, levou a que a ilha fosse essencialmente constituída por escórias de rocha vulcânica, de muito baixa densidade e com um grau de agregação diminuto, deixando a estrutura em extremo vulnerável à erosão marinha. Contudo, nesta fase, a produção de novo material excedia em muito a erosão, pelo que a ilha continuava a crescer. A partir de 1964, o vulcão até então constituído essencialmente por tefra, ganha uma dimensão em altura que faz com que a sua chaminé não estivesse mais em contacto com a água. A erupção ganhou um carácter menos explosivo, passando a emitir correntes de lava basáltica, que reforçaram os terrenos onde penetravam e recobriram boa parte da estrutura com uma camada de rocha consolidada. Isso impediu o rápido desaparecimento da ilha, como aconteceu com as suas pequenas irmãs, Syrtlingur e Jólnir. As erupções duraram até 5 de Julho de 1967, altura em que Surtsey atingiu as suas maiores dimensões (2,7 km2). Desde então, a erosão marinha e o vento tem vindo a reduzir gradualmente a sua área (actualmente inferior a 1,4 km2).
  
 As crateras semicirculares no centro tem actualmente aproximadamente 154 m de altitude
 
Em 1965 a ilha foi declarada como uma reserva natural, tendo-se transformado num autêntico laboratório de investigação ao ar livre. Não podemos esquecer que na Islândia existe uma comunidade de vulcanologistas experientes. Assim, a ilha foi estudada intensivamente desde os estádios iniciais da erupção, fornecendo um modelo de grande interesse para os estudos de vulcanologia e evolução dos materiais vulcânicos, erosão costeira e ecologia, com destaque para estudos sobre os tufos vulcânicos e os processos de colonização vegetal de novos territórios insulares. Têm sido apresentados inúmeros estudos sobre diversos aspectos da biologia e ecologia das espécies que entretanto se foram fixando na ilha.
Ainda hoje, apenas cientistas credenciados em investigação de campo são autorizados a desembarcar na ilha. Os visitantes apenas a podem sobrevoar de avião ou avistá-la a partir de embarcações.
 
A Exposição Surtsey - Genesis na Casa da Cultura de Reykjavík
  
Vídeo montagem da exposição Surtsey-Genesis na casa da Cultura - Centro Nacional do Património Cultural em Reykjavík
 
Existe um motivo para fazer este post sobre a ilha vulcão de Surtsey. É que quando cheguei à Islândia em 2007, fui à Casa da Cultura em Reykjavík para ver a exposição multimédia surtsey – génesis.
Na Casa da Cultura, um Centro Nacional do Património Cultural, podem ver-se varias exposições em simultâneo, sendo algumas de carácter mais permanente. Entre estas, refira-se a dos manuscritos medievais - Eddas e Sagas, livros onde se encontram narrados todos os feitos vikings que tanto orgulham os islandeses. Haverei de falar sobre as Sagas vikings e do Eddas num post futuro. O Eddas foi já escrito pela pena do cristianismo. Contudo, o seu objecto acaba por ser o reflexo do paganismo na Islândia – as crenças e as sagas vikings.
Mas a exposição que nos interessa neste post é a e Surtsey – génesis. Esta exposição traça o nascimento e evolução da ilha vulcão, do início até aos dias de hoje, prevendo o desenvolvimento geológico e ecológico nos próximos 120 anos. São aplicadas as últimas técnicas multimédia para dar a conhecer as respostas de toda a pesquisa cientifica no terreno. A exposição é organizada pelo Instituto Islandês de História Natural.
Com o objectivo de partilhá-la convosco neste blog, antes da minha estadia em Portugal fui visitá-la de novo, acompanhado da minha pequena e antiga máquina de filmar.
Para quem não pode ir a Reykajvík, deixo acima o vídeo e a respectiva montagem. Abaixo, fica uma breve explicação, também em formato vídeo, das transformações da ilha sujeita à erosão marinha e eólica.
Espero que gostem!

 

explicação vídeo das transformações no diâmetro e área de Surtsey

 

Acesso ao web site da Sociedade de Estudo de Surtsey criada em 1965

http://www.surtsey.is/index_eng.htm
 
Voltarei ao tema do vulcanismo na Islândia num post futuro. É que não existe homem com a dimensão da natureza. Por isso, o fascínio chamado Islândia!
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 13:54
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Na senda de Nonni, Jón Sveinsson e o Akureyri Museum

  

  

A igreja museu de 1846 transladada em 1970 para este local com a casa museu onde Jón Sveinsson (Nonni) morou entre os 7 e os 12 anos. É aqui que se inícia o caminho de Nonni.

 

Há algum tempo que queria fazer o caminho de Nonni em Akureyri. Nonni é uma personagem criada por Jón Sveinsson, um escritor de literatura infantil. Existe um percurso que podemos fazer de forma a seguir os seus passos enquanto criança. Eu fiz essa caminhada, fotografei cada etapa e o resultado é este post.
Convido-os a acompanharem-me.
 
Jón Sveinsson
 
Nasceu em Mödruvellir em 16 de Novembro de 1857. Em 1965 a sua família muda-se para a pequena casa de madeira castanha escura que agora se chama Nonni`s House e alberga um pequeno museu.
O seu pai faleceu quando o pequeno Jón tinha 11 anos e um nobre françês ofereceu-se para pagar a educação do rapaz no estrangeiro. Aos 12 anos Jón (ou Nonni, já que os islandeses referem-se a ele pelo nome do personagem que ele criou enquanto escritor) partiu para a Europa para estudar na Latin School em Amiens na França.
Em 1878 tornou-se membro da ordem dos Jesuítas e estudou nas Universidades em França, Bélgica e Holanda, nomeadamente literatura, filosofia e teologia.
Lecciona na Dinamarca a partir de 1883 e depois de estudar teologia em Inglaterra torna-se um clérigo em 1890. Nos 20 anos seguintes é professor e missionário. Uma doença em 1912 termina com a sua carreira como docente e é nessa altura que Nonni passa a dedicar-se à escrita de livros infantis. As suas obras são traduzidas em mais de 30 línguas.
Morreu em Outubro de 1944, aos 86 anos, em Colónia na Alemanha.
 
 
O caminho de Nonni
 
O tracejado na placa, indica a percurso que me esperava. Do lado esquerdo um desenho retrata Jón Sveinsson (Nonni) observando os barcos no fiorde, sentando na pedra de Nonni, situada no alto da colina.
 
Eram 11h da manhã quando iniciei a caminhada junto à casa de Nonni. Foi construída em 1850, 15 anos antes da família se mudar para Akureyri. As memórias dos tempos ali passados, irão inspirar Nonni, na criação dos seus livros para crianças que começa a escrever em 1912 no estrangeiro. Em 1957 a habitação passa a albergar o the Memorial Museum of Jón Sveinson, Nonni.
A casa fica no sopé da colina por onde segue o caminho de Nonni. Ainda no sopé, na margem esquerda do caminho, fica a igreja museu construída em 1846. A igreja foi construída em Svalbard, tendo sido transladada em 1970 para este local.
 
Logo de início, o caminho começa a subir a colina. Para trás fica a pequena igreja, a casa de Nonni, a estátua de Jón Sveinsson e o fiorde, nesta altura do ano em tonalidades esverdeadas.
 
Depois de fotografar e de respirar fundo, sempre com uma névoa um bom par de metros acima da minha cabeça, início a subida da ladeira que o tortuoso caminho me oferecia. O verde da erva rejuvenescida começa a tomar conta de Akureyri. Nem parece que ainda à menos de 1 mês atrás, o branco se estendia desde as montanhas até ao fiorde, abraçando a cidade. A manhã estava serena e as aves cantavam umas com as outras, como se estivessem esgrimindo argumentos. Calmamente subi a colina, fazendo algumas pausas para observar o fiorde que a cada passo ficava mais para baixo. A paisagem desabrochava enquanto eu subia a caminho do cemitério. Mas não deveria ser nada fácil caminhar por aqui nos rigorosos Invernos do passado, nomeadamente com o gelo do Inverno que a cada segundo nos convida a escorregar.
 
O caminho de Nonni entre a casa e o cemitério no alto da colina.
 
Por fim cheguei ao cemitério onde se encontra o túmulo do pai de Nonni. Uma grande cruz branca na pequena Memorial Square homenageia os marinheiros desaparecidos ou mortos no passado.
 
no alto da colina e junto à pedra de Nonni, podemos imaginar a vista no passado. Reparem no nevoeiro escondendo a montanha do outro lado do fiorde. Um tecto que me acompanhou toda a manhã.
 
Saindo do cemitério, continuo a seguir o caminho de Nonni até chegar à pedra onde o pequeno Jón apreciava os barcos e a vista sobre o fiorde. É uma grande pedra no cimo da colina, ligeiramente abaixo do cemitério.
 
A pedra de Nonni está devidamente assinalada.
 
O caminho desce agora a colina numa direcção mais para norte, por onde a cidade se foi estendendo. Tempo ainda para ver a primeira habitação de Akureyri. Trata-se do número 14 da rua Adal (Adalstraeti). A casa em madeira caiada de branco datada de 1835.
A manhã terminava bucólica. Talvez uma espécie de morabeza próximo do paralelo 66. Ou seria uma malemolência no artico? O passeio tinha valido a pena. Espero que tenham apreciado e que um dia possam vivê-lo!
 
A primeira habitação de Akureyri situada rua Adal, 14. Construida em 1835, foi comprada por Fridrik Gudmann em 1873 e oferecida para ser o hospital da cidade, o que aconteceu até ao ano de 1896.
 
 
O Akureyri Museum
 
Antes de iniciar o caminho de Nonni, resolvi entrar no Akureyri Museum, já que ficava no início do percurso. Não me arrependi. Apesar de só abrir ao público em 1 de Junho, deixaram-me ver a exposição no piso de entrada. Landmán – the Settlement é uma exposição que retrata a colonização e o estabelecimento das pessoas ao longo do fiorde Ejja, onde se situa Akureyri. Esta é uma exposição permanente mas actualizada anualmente. No outro piso montava-se uma exposição sobre Akureyri.
Filmei e montei um vídeo da referida exposição e o resultado poderão ver de seguida:
 
 

  

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 11:12
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

O alfabeto Islandês

os raios de sol espreitando nos montes de Akureyri. Foto tirada em Jan.08 by Ivo Gabriel

 

Estar aqui na Islândia, de forma a compreender a sua História e Cultura, não é fácil e só agora começo a adaptar-me melhor. É no terreno que compreendemos o tão difícil que é, despirmo-nos de nós próprios, da nossa educação, cultura e processos de socialização. Isso, é bem mais difícil do que aguentar as temperaturas negativas do Inverno e as poucas horas de luz solar (uma das justificações nórdicas para os litros de bebidas alcoólicas ingeridas).
Esta introdução, vem a propósito de ter iniciado as minhas aulas de Islandês. Acreditem que aprender esta língua será um desafio titânico!
Mas como ler não implica ouvir e muito menos pronunciar, vou introduzir-vos ao seu alfabeto.
O islandês é considerado a mais conservadora das línguas escandinavas, representando um caso único de continuidade linguística. O isolamento geográfico, somado a altas taxas de alfabetização na ilha desde o século XIII contribuíram para a estabilidade do idioma.
O alfabeto islandês tem a sua origem no alfabeto romano, usado no mundo ocidental e introduzido pelo cristianismo por volta do ano 1000, acrescido por alguns símbolos próprios, influencia das runas. As runas são uma antiga forma de escrita da Europa do Norte. A influência no islandês, consiste nos acentos colocados sobre as vogais e em letras como o o “Þ þ”, o “Ð ð” e o “Æ æ.
Já agora, A versão escandinava das runas, é conhecida como Futhark (derivado das suas primeiras seis letras: 'F', 'U' 'Th', 'A', 'R', e 'K'), e a versão anglo-saxónica conhecida como Futhorc (o nome também tem origem nas primeiras letras deste alfabeto).
O alfabeto islandês completo tem 32 letras, sendo as vogais com acentos consideradas letras separadas.
 
 
Para que possam notar as diferenças, vou colocar 2 nomes usuais aqui na Islândia. Primeiro, escrito no alfabeto ocidental usual e posteriormente escrito no alfabeto islandês, onde se poderá notar a influência dos caracteres tradicionais das runas (utilizadas na ilha até à cristianização).
 
Gudmundur Agust Johannsson - alfabeto ocidental usual
Guðmundur Ágúst Jóhannsson -
alfabeto islandês
 
Odinn Aegir Thorsson - alfabeto ocidental usual
Óðinn Ægir Þórsson –
alfabeto islandês
 
De seguida, apresento-vos um link onde poderão ver os caracteres das runas equivalentes ao alfabeto islandês, bem como a pronunciação das vogais em islandês.
 
http://www.simnet.is/gardarj/folk/runes.htm
 
De igual modo, para quem quiser iniciar a aprendizagem do islandês, segue um link com um curso gratuito on-line. Aliás, eu próprio estou a iniciar utilizando este curso como complemento.
 
http://icelandic.hi.is
 
Divirtam-se!
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 13:29
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