Domingo, 20 de Maio de 2012

Dettifoss - a mais poderosa queda de água da europa

 

A água é uma constante na paisagem islandesa. A sua pureza é alardeada com presunçoso orgulho pelos seus habitantes, num país onde praticamente não se compra esse liquido engarrafado. Na Islândia enche-se a garrafa com agua da torneira e se estamos em viagem, nos rios ou nascentes. Se vemos alguém de guarda chuva ou a comprar agua engarrafada nos supermercados, cheira a turista ou visitante ocasional.

Existem milhares de quedas de água por toda a Islândia, sendo uma das suas principais atrações. Quando estou com os grupos na estrada, divido sempre os rios em 2 grupos: os rios de nascente e os rios glaciares (de geleira). Os rios de nascente tem a cor mais azulada e são translúcidos. São também mais caudalosos no Inverno, como acontece, por exemplo, em Portugal e no Brasil. Os rios glaciares (de geleira) tem uma cor acastanhada (barrenta), devido ao "polimento" e consequente libertação de areias e detritos, originado pelo avanço e recuo dos glaciares (geleiras). O seu caudal é maior durante o verão, devido ao maior degelo provocado pelas temperaturas mais altas. É o caso de Dettifoss.

 

Dettifoss pelo lado Oeste

 

Dettifoss é considerada a mais caudalosa e poderosa queda de água da europa. Localiza-se dentro dos limites de um Parque Nacional, onde se encontra Vatnajökull o maior glaciar (geleira) da europa. Num dos limites do glaciar, nasce o rio Jökulsá á Fjöllum (traduzido: rio glaciar das montanhas), que se dirige de sul para norte da ilha, até desaguar no oceano glacial ártico (ou atlântico norte).  Ao longo dos séculos, o glaciar tem avançado e recuado. Depois da ultima glaciação o seu recuo cavou um canyon e originou esta imensa queda de água - Dettifoss. Com os seus 100 m de largura e 45 m de altura tem um caudal médio de aprox. 190 m³/s, mas durante o verão pode deixar cair muito mais de 200 m³/s.

Dettifoss fica no planalto central islandês, envolta em pedra, pó e areia. O ano passado foi alcatroado o acesso o oeste pelo sul. Mas a melhor vista continua a ser pelo lado leste, onde a estrada continua a ser em terra batida, "gravilhada" aqui e acolá.  Apesar do pó vale a pena a viagem. Pela queda de água em si, pelas colunas basálticas e formações rochosas do canyon e por toda a envolvência inóspita, por vezes lunar, que nos pode remeter ao imaginário de uma busca a um qualquer "pueblo" mexicano perdido, algures no tempo e no espaço.

 

Vídeo com Dettifoss filmada pelo lado oeste e pelo lado leste

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 20:26
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Sábado, 10 de Março de 2012

Pequenos momentos com clientes na Islândia

 

Depois de alguma ausência do blog, estou já, a preparar alguns textos, vídeos e fotos para recomeçar as postagens.

 

Numa altura em que o verão se aproxima, juntamente com a época de alta turística, deixo um pequeno vídeo com algumas viagens que fiz como guia em 2010, aqui na terra do gelo e do fogo. São breves momentos acompanhando e dando a conhecer a Islândia, tanto a grupos grandes como individuais.

 

 

Entretanto a Ice Tourism sugere dois programas na Islândia que deixo nos links abaixo:

 

1. À Descoberta da Islândia 2012: O nosso programa de verão para grupos com saídas/datas em:

23 a 30 de Junho

7 a 14 de Julho

21 a 28 de Julho

4 a 11 de Agosto

 

Qualquer pessoa pode-se inscrever pelo preço de 1709 €.

Inclui guia em lingua portuguesa, Blue Lagoon, museus assinalados, seguros, autocarro, Alojamento em hotéis regime B&B.

 

http://www.icetourism.com/images/Programas/À%20Descoberta%20da%20Islândia%202012%20-%20Ice%20Tourism.pdf

 

2. Islândia em Apartamentos, Chalés, Guesthouses e Pousadas 2012: A forma mais barata de viajar na Islândia. Um produto direccionado para o viajante independente, que gosta de explorar a natureza. Se dispensa o hotel e é movido pela curiosidade, descoberta, conhecimento, interactividade, de conduzir por si próprio e sentir a realidade dos países, este é o pacote ideal! Preço desde 590 €.

Inclui carro (em sistema de Self & Drive), seguros, estadias em chalés, guesthouses e pousadas em lindíssimos locais, capa com brochuras, programa e mapa com o percurso, locais de interesse turístico e o alojamento devidamente assinalados, telemóvel, Transfer no dia da partida, museus assinalados e Blue Lagoon.

 

http://www.icetourism.com/images/programas/Islândia%20em%20Aps,%20chalés,%20guesthouses%20e%20pousadas%208-11%20dias%207-10%20noites%20self&drive%20verão%202012.pdf

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 15:16
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Conhecendo Siglufjördur – do Eyjafjördur até ao Skagafjördur

Vídeo da viagem. Um olhar entre a neve e as landscapes de 3 fiordes islandeses.

 

Viagem pelo Eyjafjördur, Siglufjördur e o Skagafjördur
A aventura da pesca do arenque e o Herring Era Museum.
 
No último fim-de-semana organizei um pequeno passeio a 3 fiordes do norte da Islândia. Foram 2 dias percorrendo o oeste do fiorde Eyja, o fiorde Siglu e o fiorde Skaga.
Não foi, contudo, uma jornada nova para mim. Aliás, já postei idêntica viagem com o meu amigo Nuno, quando ele visitou a Ilha (ver post: http://iceland-views.blogs.sapo.pt/6720.html).
A Paixão com que fiquei por Siglufjördur, a cidade mais a norte da Islândia, situada num pequeno e encantador fiorde, fez com que preparasse este passeio com particular expectativa. Ia voltar a um local que me tinha fascinado em Maio passado. Sabia que agora a paisagem seria bem diferente, e que o extenso manto branco do inverno insular me acompanharia ao longo das distintas landscapes.
Na semana que antecedeu a viagem telefonei para os responsáveis dos museus que pretendia visitar. Normalmente, durante o inverno, encontram-se fechados. Assim, a melhor garantia, é usar o telemóvel, de forma a marcar uma hora.

 

 
As impressivas montanhas islandesas
 
O 1º Dia. Do Eyjafjördur até Siglufjördur
 
Partimos pelas 8 h da manhã, debaixo de -12º C, rumo a Dalvík, onde se situava a primeira paragem previamente combinada (sabíamos que iríamos fazer muitas outras pelo caminho), de forma a vermos o museu Hvoll, que além de englobar uma colecção da história material, social e natural da região, foi a casa do homem mais alto do mundo. No museu poderemos conhecer todas as estórias que construíram a História da região (http://www.dalvik.is/byggdasafn/).
Pelo caminho, podemos apreciar as panorâmicas que só o Eyjafjördur é capaz de nos proporcionar.
A monotonia sugerida pelo constante manto de neve, é combatido pelos degrades cromáticos da mágica luz solar que em jogos fugidios com o algodão das nuvens, me fascinava em cada pausa para contemplação.
O Inverno islandês tem algo de mágico. É essa magia que nos transporta para os seus contos tradicionais, conjunto de fábulas povoadas de pequenos seres mágicos e gigantes de pedra, que só visualizamos quando envoltos na solitude épica das landscapes islandesas.
São séculos de isolamento, entre o fogo dos vulcões, o branco das montanhas escarpadas desenhadas pelo degelo dos glaciares e um céu desmaiado de púrpura que à noite se transforma, por vezes, em serpentes coloridas, movimentando-se no silêncio mais profundo.
Saímos do museu em Dalvík, para visitar o porto da cidade.
Continuando viagem, seguimos na direcção de Olafsjördur, mais uma pequena cidade, num fiorde de reduzidas dimensões. Antes de entramos no túnel que liga o Eyjafjördur ao Olafsjördur, mais uma paragem para apreciar a belíssima panorâmica que percorre o mais longo fiorde do país.
De seguida, teríamos de cruzar a montanha rumo a Siglufjördur. Estava preocupado pois éramos 5 num VW Pólo. Se a estrada não estivesse limpa, o carro iria patinar nas subidas, sem conseguir avançar. Tivemos sorte, pois os 2 dias anteriores tinham sido de céu limpo, acompanhado de temperaturas negativas. Além disso, fizemos a estrada pela tarde. Ou seja, já batida por outras viaturas mais bem preparadas para as agruras islandesas. O facto de estrada ser em gravilha e não alcatroada acabou também por ajudar. Muitas vezes, ouvimos a neve raspar por baixo dos nossos pés, já que no vácuo formado pelo eixo das rodas se acumulava neve. E assim cruzamos a montanha, ao som dos Beatles, FM Belfast, Ojos de Brujo e algum jazz.
Antes de chegarmos a Siglufjördur, fizemos uma paragem especial numa das panorâmicas que mais me fascinaram até hoje. Trata-se da confluência entre o lago Mikla e o oceano glaciar Ártico. No post da viagem em Maio passado, coloquei uma foto desta vista, onde poderão notar as diferentes texturas entre a água do lago e a água do oceano, separadas por um singelo cordão de pedras. Desta vez, o lago não só estava congelado, como também, carregado de neve. Parecia que o oceano magicamente se detinha na neve fofa, como que capaz de afagar a sua revolta nas suas carícias mais ternas. Assim se revelava a solitude épica, tão cinemática e reconciliadora. Ao longe as impressivas montanhas de íngremes colinas, tão características do país, compunham a tela.
Estávamos quase em Siglufjördur, onde iríamos pernoitar. Eram 17 horas e os azuis mais carregados anunciavam o crepúsculo. Passamos pelo pequeno farol laranja que anunciava a proximidade do nosso destino. Fazendo a estrada que agora se estendia paralelamente ao oceano, chegamos ao túnel de 900 m de extensão, porta de entrada do fiorde que anteriormente me havia encantando. Tudo no isolamento pode virar mágico. Até a singularidade da imensa porta vertical, que se abria lentamente à chegada de uma viatura, para se fechar de seguida, como se estivéssemos a entrar num conto de fadas. E assim fomos tragados por aquela gruta e quando na outra extremidade a porta se abriu, deparamos com o bonito fiorde, onde ao fundo, adormecida nas encostas dos rochedos escarpados, descansava na neve, a cidade de Siglufjördur.

 

 
Siglufjördur adormecida 
 
Conhecendo Siglufjördur
 
Siglufjördur é uma pequena cidade situada no fiorde que lhe dá o nome. É um sereno recanto, onde raramente o vento sopra, fazendo da cidade um simpático, bonito e acolhedor porto de abrigo. Observá-la no verão é tão agradável como no Inverno. Aliás, esse é um dos encantos da Islândia. É que o país, consoante a estação, encerra belezas tão extremas, como possuidoras de um encanto dificilmente explicável. Os recantos têm de ser vivenciados e sentidos.
“Ocupada” 2 vezes pelos noruegueses, a primeira em 900 DC pelo viking Thórmodur Rammi e a segunda, a partir de 1903, com a construção da mais importante cidade piscatória de arenque, de toda a Islândia, Siglufjördur vive na recordação dos seus tempos áureos. Actualmente tem cerca de 1500 habitantes, mas teve já mais de 3000 habitantes.
Durante dezenas de anos, toda a sua vida centrou-se na captura de arenque e no seu processo – a salga do peixe e a produção de óleo e das conservas em lata, tornando-se num dos mais importantes portos do país.
Em alguns anos a exportação de arenque e seus derivados, representaram mais de 20% do total das exportações islandesas. Nesses anos, a cidade chegou a ter mais de 3000 mil habitantes, entre fábricas e habitações, sendo impressionante ver os filmes retratando a vida neste período. Uma vida dura, de muito trabalho, tanto para os homens como para as mulheres. Enquanto os homens trabalhavam no mar, às mulheres incumbia a salga do peixe, bem como o trabalho nas fábricas. Nos períodos de grande captura, chegavam a trabalhar mais de 24 horas. Contudo, as mulheres chegavam, muitas vezes, a receber um salário superior ao dos homens.
Com o desenvolvimento da aventura da pesca do arenque e a consequente chegada e fixação de colonos, a atmosfera fez de Siglufjördur a Klondique do Atlântico. A cidade atraiu os especuladores da indústria do arenque, originando fortunas e perdas tão repentinas quanto fugazes, consoante os caprichos dos booms e escassez dos cardumes.
Durante vários anos este recanto da Islândia foi a “Meca” de milhares de trabalhadores e assalariados à procura de trabalho.
Se é verdade que esses tempos fazem parte do passado da cidade, não é menos verdade que são a grande saudade do presente. Uma saudade tão grande, quanto a memória alcança.
 
vista do porto de Siglufjördur 
 
O Herring Era Museum
 

vídeo do Herring Era Museum

 

Para se ter um excelente museu não é preciso ter as dimensões de Serralves. O mais importante é a pesquisa, a organização, a disposição e a capacidade de comunicação. O Herring Hera Museum tem tudo isso, sendo um dos mais interessantes que visitei na Islândia. É o mais importante museu marítimo e industrial do país e condecorado com o Iceland Museum Award 2000, bem como com o Micheletti Award - melhor novo museu industrial da Europa em 2004.
Em nenhum outro local se pode perceber tão bem a Islândia e a sua história. No fundo, o museu retrata a história do país, a sua dureza e disponibilidade. A aridez e o trabalho árduo. A pesca em condições extremas como condição praticamente única, motor de desenvolvimento da economia e de um país.
Tudo isto reflecte-se, ainda nos dias de hoje, na forma do islandês ser e relacionar-se.
O Herring Era Museum é composto por 3 edifícios.
O Roaldsbrakki é o primeiro, sendo uma casa construída em 1907 e era uma das estações de salga do arenque. Em 1916 produziu mais de 30.000 barris de arenque em salga e no R/C situava-se a linha de salga e a loja.
No 1º piso situava-se o escritório onde os trabalhadores recebiam o salário semanal e onde se encontrava a engrenagem, bem como a especiarias usadas para marinar o peixe. Foi posteriormente convertida nas acomodações dos trabalhadores.
No 2º piso eram os quartos, tanto masculinos como femininos e uma pequena cozinha.
No sótão ficava algum peixe, bem como o equipamento usado necessário para a salga do arenque.
O segundo edifício do Museu é a Factory onde se situava toda a maquinaria para produzir o óleo, bem como as conservas, posteriormente exportadas para mercados como a Suécia, Dinamarca, Finlândia, Rússia, Alemanha e EUA. Uma indústria importante para a Europa, nomeadamente durante o período de escassez entre as duas grandes guerras.
Por fim, resta falar no último dos edifícios que completa o museu. Trata-se da Boathouse. Aqui, poderão ser vistos os barcos usados na pesca do arenque, bem como passear na recriação do porto, de forma a sentir a atmosfera dos anos passados.
 
www.sild.is
 
pormenor de Siglufjördur 
 
2º Dia. Percorrendo o Skagafjördur
 
A pequena ilha de Drangey à esquerda e a ilha de Málmey à direita. Ambas no Skagafjördur
 
Depois da noitada em Siglufjördur ter-se estendido pela madrugada a viagem do segundo dia começou depois do meio-dia. O sol escondeu-se por cima  das nuvens que acordaram a cidade com doces flocos de neve, tocando as casas levemente. Assim, desistimos de subir até à estação de esqui, já que não iríamos conseguir desfrutar da vista sobre o fiorde, perdida no modorrento nevoeiro.
Seguimos para o Skagafjördur em direcção ao oeste islandês. Atrás, em tons serenos, ficava Siglufjordur, guardada em segredo, pela porta do túnel que se cerrava nas nossas costas.
O Skagafjördur situa-se entre o maior conjunto montanhoso do norte da Islândia, o Tröllaskagi (península dos gigantes) e o cabo Skagi. Salpicado por alguns centros piscatórios, é uma das mais prósperas regiões agrícolas do país, com diversas quintas, onde se destacam a criação de ovelhas, cavalos e a produção de lacticínios.
Aqui se poderão fazer belos passeios no cavalo islandês, uma raça que se caracteriza pela sua enorme resistência. Este cavalo de dimensões semelhantes ao pónei (chamar de pónei a este cavalo seria ofensivo para qualquer islandês) tem a particularidade de não limitar os seus andamentos aos habituais passo, trote e galope. Por não ter sido treinado para as lides da guerra manteve duas formas de andar, o tolt e o pace, que os outros, há muito perderam. Eu não montei ainda nenhum destes cavalos. Mas dizem ser o tolt, um andamento muito rápido e suave que faz as delícias de quem o monta.
 
O pequeno, robusto, bonito e sorridente cavalo islandês, foi companheiro de tropelias na neve e motivo de várias paragens durante a viagem.
 
Quando chegamos a ao Skagafjördur a primeira imagem com que somos recebidos e que nos deslumbra é a visão da ilha de Málmey, onde parece que a estrada vai desembocar. Com a aproximação, reparamos que a água do fiorde nos separa desta estreita ilha de lava, com cerca de 4 km de extensão e de penhascos íngremes.
Mais ao longe, perdida no meio do fiorde, repousava Drangey. Este rochedo é o palco de uma das sagas islandesas. As sagas são as mais famosas histórias em prosa da literatura islandesa e relatam os feitos e acontecimentos vikings, ocorridos durante os séculos X e XI. Segundo esta saga, o rochedo foi o ultimo refugio do proscrito guerreiro islandês Grettir Ásmundarson (Grettir the strong), que viveu os últimos anos de vida na companhaia do seu irmão Illugi e do seu escravo Glaumur, antes de ser assassinado por Þorbjörn Öngull.
Reza a lenda que a origem da pequena ilha rochedo se deveu à tentativa de 2 trolls (gigantes da mitologia nórdica) atravessarem o fiorde pela noite. A meio da travessia foram surpreendidos pelos primeiros raios de sol da alvorada, ficando petrificados. Drangey é a vaca que os acompanhava, o pequeno rochedo Kerling a suposta mulher troll e o gigante masculino, o rochedo Karl, há muito foi tragado pelas águas.
Todas estas ilhas rochedo de origem vulcânica (a não ser que acredite em trolls), são pequenos santuários de aves entre Abril e Setembro. Durante esse período poderão ser observados e fotografados espécies como o Puffin (papagaio do mar), o guillemot, o corvo, o falcão, entre outros. De igual modo, esta é uma região a visitar pelos amantes do rafting, devido aos rápidos dos rios que desembocam no fiorde.
A viagem prosseguiu com uma pausa na vila piscatória de Hofsós. Infelizmente não tivemos tempo para visitar o Centro de Documentação de Emigração nem a exposição acerca de Drangey. Mas eu voltarei, não tenho dúvidas.
As últimas paragens foram em Hólar e Saudárkrókur.
Hólar é a mais antiga diocese do norte da Islândia (foi fundada no século XII).
Saudárkrókur é (depois de Akureyri) a maior cidade do norte da Islândia (2700 habitantes).
São dois locais que merecerão postagens futuras e para não vos massacrar mais, afinal este post já leva mais linhas do que habitual, encerro o relato desta viagem.
Espero que os vídeos e as fotos consigam transmitir algumas das sensações que só a natureza e os locais visitados conseguem transmitir.
Chegamos cansados a Akureyri. O cansaço de um corpo moído, mas feliz.
 
Vista sobre o Skagafjördur em Hofsós

 

Websites:
 
Siglufjördur: www.siglufjordur.is 
 
Skagafjördur: www.skagafjordur.is
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 00:49
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Projecto Takk_Iceland09

Foi em Outubro passado que recebi o primeiro email do mentor do projecto Takk_Iceland09.

De lá para cá, parece que as coisas ganharam forma, tendo solidificado a base de sustentação. Organizaram-se, delinearam e divulgaram timings e iniciativas, Distribuíram os papéis, sem andarem aos papéis, nem ficarem só por papéis (confusos com tanto papel? Me too…)!
O Projecto Takk_Iceland09 é um sonho de um grupo de fãs dos Sigur Rós que está a organizar uma viagem aos lugares míticos da Islândia, retratados no filme Heima, sobre os concertos da banda islandesa.
Este grupo de fãs organizou-se e as pessoas trabalham em prol do projecto definindo o roteiro, angariação de fundos, organização da viagem e actividades takk_iceland09 (festas, tertúlias, projecção de Heima, festivais de cinema e poesia Islandesa).
A Passenger list engloba dezenas de fãs.
A todos os interessados, fica em baixo o blog da projecto, onde poderão recolher toda a informação.
 
Rafiðnaðarsamband Íslands!
 
http://takk_iceland09.blogs.sapo.pt
 
making off de um sonho a caminho da concretização
 
publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 21:47
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Húsavík - da pesca à observação das baleias

 

 foto Março 2008

 

 foto Janeiro 2008

Húsavík situada na baía de Skjálfandi, águas do oceano glaciar Árctico

 

Quando em Janeiro deste ano regressei à Islândia, fui para o norte, onde nunca tinha estado. Conhecer os locais através de leituras e fotografias, é muito diferente do que vivenciá-los, sentindo o seu pulsar. Neste país, cada espaço tem uma energia própria e uma amplitude que nos faz parar, para melhor interiorizarmos a natureza. Em cada recanto, a relação entre a sobrevivência do homem, a procura de melhores condições e a natureza é admirável.
Tinha passado o natal com a família no Porto e depois da passagem do ano tinha seguido para Valência. Em Portugal e em Espanha tinha estado envolvido no conforto dos afectos e rodeado pela secular história urbana da humanidade. Já na Islândia, em cada floco branco que se derrete no rosto, é o silêncio da natureza que vem afagar-nos.
São 6 horas de viagem de camioneta, para percorrer os cerca de 450 km que separam Reykjavík de Akureyri. Em Janeiro, são 6 horas sob o espesso manto branco que parece adormecer a ilha. A luz natural é quase fugaz e o sol, escondido sempre atrás das montanhas, apenas nos deixa ver uma luz difusa, algures entre o cinzento e o azul-escuro. É na magia do ocaso que elfos, fantasmas e trolls se atrevem a sair das colinas e rochas que habitualmente lhes serve de esconderijo. É que o sol do verão não os protege. Antes os cega e petrifica.
Assim, todos eles se multiplicam durante o Inverno islandês.
 
A igreja de Húsavík É uma das mais atraentes igrejas islandesas. Foi desenhada pelo arquitecto islandês Rögnvaldur Ólafsson e construída em 1907, usando madeira norueguesa. Tem uma capacidade para 450 pessoas e quando foi construída, a povoação não tinha mais de 500 habitantes. No altar existe uma impressiva pintura de 1931, pelo pintor e agricultor Sveinn Pórarinsson, representando Lazarus a erguer-se da morte.
 
Quando cheguei a Akureyri tinha o meu amigo Matin à espera. Tinha trabalhado com ele antes do natal em Reykjavík. O Matín tinha-se mudado para o norte, depois de ter aceite um convite para ser o chefe de cozinha num restaurante em Húsavík. Sendo assim, fui com ele passar 3 dias à capital da observação das baleias (whale Watching), como é denominada a povoação.
Husavík é uma pequena cidade situada no norte da Islândia, na baía de Skjálfandi e com uma população 2500 habitantes. O nome significa baía-casa e foi escolhido por Gardar Svarvasson numa viagem em 850 DC, ainda antes do primeiro colonizador oficial da ilha.
A cidade destaca-se pela sua característica igreja, rodeada por casas de telhados coloridos em frente ao porto.
Husavík vivia exclusivamente da indústria pesqueira, mas o turismo tem vindo a crescer.
Os islandeses são na sua maioria, contra a lei internacional que proíbe a captura e matança destes mamíferos. Mas neste caso, o apurado faro para o negócio de uma família, descobriu que afinal as baleias podem, através do turismo, impulsionar mais a economia local do que da matança. Assim, restauraram e adaptaram 3 barcos de pesca e passados 13 anos e mais de 6 mil viagens, Húsavík transformou-se na capital europeia da observação das baleias (whale watching).
 
 
A North Sailing, empresa criada por uma família com o intuito de desenvolver o turismo na cidade, reconstruiu e adaptou 3 barcos de pesca para a observação de baleias (whale watching). O primeiro foi o Knörrinn (4,12 m de comprimento e uma capacidade de 46 pessoas). Seguiram-se o Bjössi Sör (4,34 m e capacidade de 56 pessoas) e o Náttfari (5,30 m e capacidade de 90 pessoas). Náttfari foi um viking sueco que ficou perdido com 2 escravos na baía que abriga Húsavík, ainda antes da colonização oficial da Islândia. Como foi de forma involuntária, não é considerado o primeiro habitante e colonizador do país. Obviamente, esta interpretação oficial defendida pelos políticos e académicos não é corroborada pelos habitantes da cidade.
 
Neste vídeo, podemos observar as baleias através dos barcos pejados de turistas. Assim, fica-se com uma ideia do passeio turístico para observação destes mamíferos na baía de Skjálfandi.
 
Fiz pouso 2 noites em casa do Matín que me revelou alguns segredos da cidade. Alguns locais nos arredores que os naturais não gostariam que fossem invadidos por turistas, mantendo-os para usufruto próprio, como se de espaços sagrados se tratassem. Mas também nós em nossa casa, mantemos algumas divisões mais resguardadas das visitas. Um desses locais, é um grande tanque que fica no topo do Húsavikurfjall (417 m) e que recebe agua do interior da terra a mais de 36 º C. Imagine-se o que é estar à noite, a tomar banho num tanque de agua geotermal, rodeado de neve e bebendo uma cerveja com um amigo. Pois é, tive esse privilégio debaixo do olhar atento das estrelas.
Não queria acabar este post sem referenciar os 3 museus da cidade:
O Safnahúsid Museum que inclui o museu etnográfico, o museu marítimo, a colecção de história natural, a colecção de fotografias, a colecção de pinturas e os arquivos do Distrito.  
www.husmus.is
 
O bizarro Phallological Museum (museu do pénis), sobre o qual já postei neste blog em 31/3/08.
 
www.phallus.is
 
Por último o Husavík Whale Museum (museu das baleias) fundado em 1977. Vários jovens cientistas de outros países acabam por fazer estágio neste museu que tem um papel informativo relevante. O seu corpo científico acaba por servir-se, muitas vezes, dos barcos que passeiam os turistas, como plataforma de estudo das baleias no seu habitat natural.
 
 
Com as várias fotos que aqui deixo, os vídeos, as informações e impressões, penso ficarem com uma ideia sobre este local, ao qual voltarei em breve.
 
Gaumli Baukur é o nome do restaurante bar do qual o Matín é o chefe da cozinha. É uma casa em madeira nórdica construída em 1843, como residência de Mr. Shulsen, o magistrado do Distrito. Entre 1884 e 1904 foi um popular restaurante e em 1960 destruída por um incêndio. Reconstruída em 1998 é pertença da família que explora o whale watching. Na reconstrução da casa não foram cortadas árvores. A madeira, bem como todos os instrumentos náuticos no seu interior, é um legado do mar que sedimenta os seus despojos ao longo da baía.

 

 

entrada sul de Húsavík em Maio de 2008
 
links úteis e informativos de Húsavík
 
www.husavik.is
 
www.northsailing.is
 

Também em Húsavík fiz umas pequenas filmagens em Janeiro de 2008. Na montagem deste vídeo a música é dos Ljótu Hálfvitarnir, um grupo da cidade.

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 02:47
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Domingo, 20 de Julho de 2008

Resposta a um email: Skaftafell e o sul da Islândia

 

As formações rochosas de Vík no sul da Islândia e a praia de areia preta. Foto de Set.2007

 

Ultimamente algumas pessoas têm enviado emails com perguntas sobre a Islândia. Durante o mês de Agosto, 4 pessoas de distintos locais do Brasil que me escreveram, virão visitar a ilha que foi escolhida como destino de férias.

Este post é a resposta a um desses emails. Serve assim, para colocar no blog algumas fotos que fui tirando ao longo do tempo, neste caso, do sul do país.
 
Boa noite Ivo.
Obrigado pela abertura para esclarecimentos.
Vamos às perguntas:
1- Já vimos que os hosteis em Reykjavik já estão todos ocupados para a época que estaremos por lá (dias 12 e 13/08 e 17 à 18/08). Apenas verificamos no Reykjavik City Hostel. Você saberia informar se há muitas outras opções de hostel na cidade ou se nessa época, para quem ainda não fez reserva, é mais fácil ficar acampado do que conseguri vaga em hostel?
2- Nossa idéia é chegarmos por Reykjavik, passar 1 dia e seguir para a região do Skaftafell National Park. Você conhece essa região? Acha que realmente, pelo pouco tempo que temos, é interessante ir para lá ou tem alguma outra região que você sugeriria?
3- Você sabe se é fácil conseguir vaga em hostel na região de Skaftafell nessa época que estamos viajando?
4- Você aconselha alugarmos um carro para fazermos a viagem ou é melhor pegarmos ônibus? Ônibus entre Reykjavik e Sjaftafell são frequentes? Tem-se ônibus a toda hora?
5- Você teria alguma sugestão de passei para o período que ficaremos na Islândia (5-6 dias)?
Ivo, mais uma vez lhe agradeço pela grande ajuda! E, qualquer informação que você tiver será de grande valia para nós.
Um abraço

 

 

Gullfoss é talvez o mais divulgado postal da Islândia. A raínha das quedas de água faz parte do Golden Circle, o mais antigo Daily Tour. No sul da Islândia, Foto Set. 2007.

 

A questão das dormidas coloca-se todos os verões. Vá contactando os diferentes hotéis e Guesthouses a ver se tem sorte. Senão, resta-lhe o parque de campismo. Oxalá o tempo ajude (o que é sempre uma incerteza neste país!). Se tiver dificuldade em arranjar uma lista de hotéis em Reykjavík avise. Mas julgo que arranjará facilmente na internet. Posso dar uma dica com uma boa relação preço – qualidade: Hotel Cabín (www.hotelcabin.is/). É aliás um dos melhores locais para se comer em Reykjavík (barato e para o dia a dia). Um buffett que tem verdes, frutas e feijão. Porque em outros locais não só é mais caro, como cremes, natas e calorias abundam! O fast food está bem implementado na Islândia.
Já agora, pode tentar a guesthouse Bina (003548956585) para dormida em Reykjavík.
 
 cratera de Kerid no sul da ilha. Foto Nov. 2007
 
Relativamente ao Skaftafell National Park:
Nunca lá fui, apesar de já ter andado a passear pelo sul mais do que uma vez. Mas a Islândia tem tantos locais para ver que é impossível ir a todos. Isso implica tempo conjugado com disponibilidade. Contudo, conheço quem tenha ido lá. Além disso, como estou a envolver-me com o turismo (nomeadamente de Portugal para a Islândia) tenho brochuras, bem como vários livros com imagens, informações e história do local.
Skaftafell é um dos destinos mais vendidos da Islândia, sendo a mais popular área selvagem do país. Isso faz  que em Julho seja boa ideia evitar durante o fim-de-semana, devido ao elevado número de excursões e pessoas. Se o vosso interesse é estar em comunhão com a natureza, deverão acampar no parque de campismo de Skaftafell durante a semana. Ao fim de semana arriscam-se a ter que aturar a noite toda, os islandeses sob o efeito do álcool ingerido. É que muitos vão de Reykjavík acampar para lá. Como bons islandeses que são, fazem-se acompanhar de uma considerável quantidade de bebidas alcoólicas que ingerem até cair, entre urros desbragados e o desrespeito total por quem queira descansar.
Mas Skaftafell é um local bonito e poderão fazer escaladas no gelo, usufruir de vistas fantásticas e fotografar as cachoeiras, como a de Svartifoss (parecendo o véu de uma noiva – embora não tão alta como na Chapada dos Guimarães), rodeada de elegantes colunas de lava basáltica.
  
 Strokkur em actividade. Possível de ver para quem fizer o Golden Circle. Foto Junho 2008
 
Definitivamente aconselho o aluguer de um carro. Por 2 motivos:
Primeiro, porque acho as excursões de camioneta acabam sempre por ficar pelo preço do aluguer de um carro. Se o visitante vier sozinho a viagem ainda pode ficar mais barata de camioneta (ónibus). Mas duas pessoas a dividirem o aluguer e a gasolina de uma viatura acaba por  compensar. Pela liberdade, por terem tempo para visitarem mais locais, porque podem alongar nesses locais o tempo que entenderem e indo até onde quiserem numa exploração pessoal.  
  
Skógafoss na margens da estrada nº1. Sul da Islândia. Foto Nov. 2007
  
Se a vossa decisão for o Skaftafell National Park, alugando um carro poderão visitar a Jökulsárlon lagoon (ver o pequeno vídeo que coloquei neste blog com o nome de: Vatnajökull (the sound of) – O som do aquecimento global). É próximo e um dos locais mais belos. Seguindo a estrada poderão visitar também a bonita baia de Höfn e o seu Folk museum (tem uma exposição interessante sobre o grande glaciar).
Obviamente que de carro e quando forem a caminho de Skaftafell, irão fazer o Golden Circle, visitando o parque de Guéisers, a mais fotografada queda de água - Gullfoss, a cratera Kerid e Pingvellir, um pequeno parque nacional, onde poderão ver o encontro das placas tectónicas europeia e americana e o mais antigo parlamento do mundo. Nessa viagem de carro até Skaftafell, poderão ainda parar, para ver as diferentes quedas de água que tem pelo caminho (como Skógafoss) e em Vík, onde além do museu, poderão admirar as praias de areia negra, bem como os recortes das rochas e rochedos no limiar da praia e do mar.
Claro que poderia dar-vos outras sugestões. As possibilidades são imensas. Acho que deveriam vir ao norte. Acho também, que deveriam ver os fiordes de oeste (experiência única! Em breve irei postar sobre a minha viagem aos fiordes de Oeste, o mais inóspito local da Islândia). Contudo, 5, 6 dias não dá para tudo.
Usufruam a vossa opção!

 

O museu Folk em Vík, no extremo sul insular. Foto Set. de 2007

 

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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Mývatn – Um vídeo, um retrato do meu olhar

 

 

Por fim montei o vídeo de um dos locais mais especiais da Islândia. Falo do lago Mývatn., o qual já visitei 3 vezes, sempre acompanhado por pessoas de quem tanto gosto e que vieram visitar-me. Falo do Nuno, do Vítor e claro, o meu irmão.

Pude, em alturas distintas do ano, apreciar este santuário criado pelas forças da natureza, com diferentes cores, sensações e companhia.
Esta última vez, Iniciei a viagem ao lago Mývatn às 4 h da manhã, já que em Junho o sol nunca se chega a deitar. Eu e o Vítor, partimos aconchegados no silêncio sereno da alvorada, salpicado pelo canto endémico dos primeiros pássaros. Desde já, aconselho a madrugada como opção para visitar os fenómenos naturais da Islândia. Por exemplo, em Godafoss, pudemos apreciar as quedas de água com a luz do sol, o arco-íris e uma tímida lua persistindo em se mostrar de mansinho.
Como às 4 h da manhã não existem turistas pudemos, confortavelmente sós, sentir a natureza abençoada por uma luz que nos convidava a fotografar.
 
 
O lago Myvatn Situa-se a norte, no Distrito que lhe dá o nome e é, provavelmente, o segundo local mais visitado da Islândia (logo a seguir ao Golden Circle). Estamos então a falar de um cartão postal. Contudo, não deixa de ser uma área fascinante, mesmo para um viajante que não gosta de fazer o papel de turista. Criado por uma tão intensa quanto poderosa actividade vulcânica há cerca de 2300 anos atrás, continua, nos dias de hoje, a ser uma das regiões vulcânicas mais activas do planeta. A sua paisagem é dominada pelo lago, vulcões, crateras e pseudo-crateras, fumarolas, bocas sulfatadas de lama e lava que deixam no ar um vapor enxofrado, caves e cavernas com agua quente proveniente do sub solo e curiosas construções naturais, autênticos castelos de basalto e magma petrificados.
O lago tem 37 km2 e nunca ultrapassa os 4.5 m de profundidade. É desde 1974 Área de Conservação Nacional e uma atracção para os observadores de aves, fotógrafos e amantes da natureza.
Diferentes espécies de patos e outras aves podem ser apreciados em Mývatn. Algumas espécies são características daqui, como por exemplo, o Barrow`s Goldeneye (Bucephala Islandica). No Rio Laxá, podem-se encontrar trutas e salmões.
Durante o ano Mývatn apresenta uma programação constante. Assim, em Fevereiro tem o festival Viking. Em Março o Horses on Ice (o lago congela durante alguns meses, permitindo esta competição de cavalos no gelo), o snowmobile festival e o Easter Walk. Em Maio realiza-se a tradicional maratona de Mývatn e no final de Novembro chegam os 13 Pais Natais islandeses (Yule Lads) a Dimmuborgir.
 
Mas vamos seguir um pouco do trajecto que apresento no vídeo, começando por Godafoss.
 
 
Godafoss, é uma das quedas de água mais conhecidas da Islândia, e provavelmente a de mais fácil acesso, já que fica perto da estrada numero 1, a caminho de Mývatn. Reza a lenda que na altura das sagas Vikings, o chefe Porgeir Porkelsson, atirou nas suas águas todas as estátuas de Deuses pagãos, convertendo o cristianismo na religião oficial da Islândia. Estávamos no ano 1000 DC.
Godafoss não será das maiores quedas de água do país, mas seguramente, será das que mais gosto. É que tem um charme e singularidade únicas. Charme, savoir faire, subtileza e delicadeza não abundam na Islândia. Logo, Godafoss merece no mínimo uma menção honrosa! São 12 m de altura por 30 m de largura de um charme que inevitavelmente perdurará nas gavetas da memória...
Na minha opinião, o seu maior encanto desabrocha no Inverno.
 
 
Skútustadagígar, é o local onde se concentra a maioria das pseudo-crateras de Mývatn. A colocação de uma delas no Portugal dos Pequeninos em Coimbra, seria a escala proporcional de um grande cone vulcânico. Mas na realidade não são vulcões em miniaturas e sim bolhas formadas pelos rios de lava. Essa explicação não lhes retira qualquer fascinio.
 
 
Dimmuborgir, é um santuário de castelos negros, de basalto e magma petrificada. Esta lava em estado sólido que povoa a área, esculpiu bizarras formas cobertas, por vezes, de uma vegetação peculiar. Tem como atracção principal uma abóbada natural, a fazer lembrar uma igreja gótica. Este é um santuário povoado por elfos e onde em Novembro se reúnem os Yule Lads, os 13 pais-natais islandeses.
  
 
Formado numa erupção à 2500 anos atrás, Hverfell, é uma cratera vulcânica que com a sua forma circular, parece ter o formato de um gigantesco estádio de futebol. Tem aproximadamente 1000 m de circunferência por 140 m de profundidade. Ainda não foi nesta ultima viagem que subi a sua colina. Mas isso estará para breve.
 
 
Grjótagjá, é uma piscina natural numa caverna. As suas águas verde-azuladas vêm do interior da terra, a uma temperatura de aproximadamente 50 graus. Poderemos molhar a mão apressadamente, mas tomar banho, só para quem quiser ser cozinhado lentamente.
 
 
A Piscina Geotérmica de Mývatn, retira água 2500 m abaixo do solo, oferecendo com os seus minerais únicos, sílica e micro-organismos, um banho relaxante para a pele e para o espírito. Nesta área vulcânica, a água é muito sulforosa. Sendo assim, é aconselhável não levar colares e pulseiras de prata para o banho!
 
 
Námafjall, é a montanha que com dégradés de castanho, amarelo e vermelho, abriga no sopé solfataras, bocas de lama e lava borbulhante que deixam o ar empestado de um vapor com forte odor a enxofre.
Esta área que visualmente nos lembra Marte, abriga no subsolo lava que a qualquer momento poderá revoltar-se e subir, numa nova manifestação de vulcanismo.
 
 
Krafla, é também uma das mais activas áreas vulcânicas. Por esse motivo, tem nas suas imediações uma central geotérmica, que com os pipelines a ceú aberto criou uma paisagem humana, tão estranha quanto a área em que se situa.
O último período de erupção em Krafla foi entre 1975 e 1984. A cratera mais antiga é Leirhnjúkur e a mais recente Stóra-Víti.
 
Depois desta explanação, espero que usufruam o vídeo. Quanto a mim, tenho nova viagem agendada ao lago Mývatn em 28 de Julho. Com que novas vestes ir-me-á surpreender a natureza? Certo é que não irei ver abraçados, no meio do lago gelado, o casal de namorados de Março passado.

                                                        

Para este vídeo utilizei fotos tiradas nas 3 viagens que fiz a Mývatn (Março, Maio e Junho de 2008). Dessa forma, poderão apreciar a transformação operada pela natureza consoante a estação do ano. Já as filmagens foram apenas efectuadas na madrugada e manhã de 23 de Junho de 2008.

 

www.myvatn.is

 

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Domingo, 29 de Junho de 2008

A cor púrpura...

  

West fjords, 00.10 h. 20 Junho de 2008

Enquanto o sol da meia-noite flutua no oceano, nos céus sussurram púrpuras de veludo.

Assim se insinua a morabeza do árctico. 

 

"Uma experiência poderosa e poética de relação com a natureza: a luz, as formas, as cores e os espaços como nunca vistos e sentidos."

 

Uma viagem que guardarei no coração com a tua companhia meu querido amigo Vítor!

 

 

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Entre fiordes: Do Eyjafjördur ao Skagafjördur

 

 

Depois de algum tempo de ausência, a quantidade de posts em lista de espera aumentou significativamente. Ou seja, a fazer lembrar as listas de espera dos hospitais portugueses. Nem mesmo no exterior nos afastamos dos velhos hábitos lusitanos. Como não posso contratar ninguém para actualizar este blog, tentarei amenizar tal facto nos próximos dias (ou deveria dizer semanas?).
Muitas observações e impressões estão na cabeça e consequentemente em agenda para partilhar convosco.
Começarei por postar acerca de uma pequena viagem que fiz com o meu amigo Nuno, a viver actualmente na Finlândia e que veio visitar-me o mês passado.
Esta é uma viagem iniciada em Akureyri, percorrendo a margem Oeste do Eyjafjördur (fiorde Eyja) e a margem Este do Skagafjördur (fiorde Skaga).
Depois de alugarmos um automóvel, iniciamos esta viagem no norte da Islândia, entre os dois fiordes acima referidos. Percorremos todo o lado Oeste do Eyjafjördur, de encontro ao oceano glaciar árctico. A natureza ofereceu-nos um dia sem chuva, proporcionando uma viagem agradável. Antes de Dalvík fizemos algumas paragens para tirar fotografias, instantâneos das margens do fiorde abraçado pelas abertas montanhas ainda com neve. Algumas casas prefabricadas dispersas, revelam destinos de fim-de-semana dos islandeses. Ainda pela manhã chegávamos a Dalvík, uma das maiores cidades da região (aprox. 1500 habitantes), onde em 1934 um terramoto de 6.3 na escala de Richter, originou um desprendimento de terras da montanha, destruindo metade das habitações. Em frente a Dalvík, no meio do fiorde, encontra-se a ilha de Hrísey, uma reserva natural onde poderão ser apreciadas algumas aves. Para tal, basta apanhar o ferry boat numa curta viagem de 15 minutos.
Continuamos na direcção norte, na estrada que liga Dalvík à cidade de Ólafsfjördur. Paramos algumas vezes para admirar a vista, antes de entramos no túnel que nos fez abandonar o Eyjafjördur. A viagem iria sair agora da zona costeira já que iríamos até ao oceano glaciar árctico atravessando a montanha. Entramos no túnel de vários kilómetros, onde a pedra esburacada permitia apenas uma faixa de rodagem. Sempre que um carro vinha de frente, tínhamos de aproveitar umas plataformas construídas para dar passagem ao sentido com prioridade. Os túneis na Islândia são assim e tirando a estrada número 1 que circunda a Islândia, praticamente todas as outras vias tem zonas em terra batida (isto se não forem completamente em terra batida). Está visto, esqueceram-se de trazer os sucessivos governos de Portugal, bem como a Mota e Engil para cá. Não me parece contudo, que o facto tenha resultado num inferior índice de desenvolvimento económico!!!
 
Uma belíssima composição. Hraun: O lago Mikla com as suas aguas congeladas e o oceano glaciar árctico. Um cenário de contornos épicos que a máquina fotográfica não consegue captar na plenitude.
 
Depois de cruzarmos Ólafsfjördur e a montanha deparamo-nos com uma das mais belas, magnânimas e épicas vistas que já presenciei. Trata-se de Hraun e no miradouro apanha-se Miklavatn (lago Mikla), delimitado a norte por uma estreita língua de terra que o separa do oceano glaciar árctico. As montanhas de contornos tão cinemáticos quanto épicos, bem como o majestoso cenário aberto, jamais poderá ser captado por um instantâneo fotográfico. Esse, dar-nos-á sempre uma outra realidade. A água gelada do lago contrastava em textura com os movimentos ténues da água do oceano glaciar árctico. Este cenário foi um dos que mais me impressionou durante o dia.
Extasiados seguimos até ao fim da estrada que desembocava em Siglufjördur. A cidade (com o nome do belíssimo fiorde) tem nos dias actuais 1800 habitantes. Achei um encanto este recanto no belo e adormecido fiorde. Em breve, pretendo passar aqui um fim-de-semana.
Voltamos depois para trás, percorrendo parte do caminho que nos trouxe. Fomos então no encalço do Skagafjördur. Já passava do meio da tarde, mas nesta altura do ano o norte da Islândia já não tem noite. Ao chegarmos a este fiorde os nossos olhos são recebidos pela ilha de Málmey, um rochedo de lava com 4 km de comprimento. Na direcção da vila de Hofsós passamos por mais ilhotas que nascem nas águas do fiorde. Dranguey é um dos exemplos. Como já era tarde (fizemos muitas paragens para sentir os lugares) não fomos a Hólar, durante mais de 600 anos o centro religioso do norte. A sua catedral que dizem ser charmosa, data de 1763 e a vila foi fundada no ano de 1106.
A jornada já ia longa e percorremos a estrada até ao final do fiorde apanhando depois a numero 1, atravessando as montanhas em direcção a Este, de regresso a Akureyri.
Um belo passeio que ambos adoramos.
 Ficam algumas fotos e um pequeno vídeo que fiz, registo sempre aquém das sensações apenas possíveis estando fisicamente na Islândia. É que só assim podemos sentir as suas formas, cores, espaços, cheiros e sons.
  

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 02:42
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

o pequeno arquipélago de Vestmannaeyjar

 
O pequeno arquipélago de Vestmannaeyjar. Destaque para Heimaey, a "maior" e unica ilha habitada.
 
Nos primeiros anos da colonização da Islândia 5 escravos irlandeses assassinaram o irmão de Ingólfur Arnarson, um dos primeiros e mais terríficos vikings a colonizar o país, fugindo posteriormente para as ilhas que se iriam denominar Vestmannaeyjar (literalmente ilhas dos homens de Oeste). Contudo, a sua fuga durou pouco tempo, tendo sido encontrados e depois assassinados.
Vestmannaeyjar é hoje em dia um pequeno arquipélago de origem vulcanica no sul da Islândia, constiuido por 16 pequenas ilhas e 30 rochedos, combinando a serenidade com as belezas naturais. Sendo de origem recente (os cientistas estimam que a primeira das ilhas não tem mais de 15.000 anos), o arquipélago continua em formação, afinal, não podemos esquecer que a ilha de Surtsey nasceu em 1963, numa das mais conhecidas e filmadas erupções vulcânicas (sobre Surtsey falarei num próximo post, pois existe uma exposição multimédia na Casa da cultura em Reykjavík, a qual já visitei.)
Heimaey, a maior ilha do arquipélago, é a única permanentemente habitada (4227 habitantes pelos censos de 2004) e em 1973 uma nova cratera, Eldfell, surgiu através de uma erupção que aumentou em 15% a área da ilha, submergindo parte da cidade.
As suas rochas, penhascos e falésias albergam a partir da primavera uma das maiores colónias de puffins (papagaios do mar) conhecida, para além de uma vegetação rasteira única e luxuriante.
Os seus habitantes tem um dos mais altos rendimentos per capita da Islândia, derivado, como não poderia deixar de ser, da pesca (são 2% da população islandesa e suportam 12% das exportações).
São pessoas rudes e independentes, reflexo do isolamento e de uma vida dura, sujeita a um clima de tormentas (as tempestades no mar já originaram ondas com mais de 23 m de altura!), catástrofes naturais e raids de piratas durante muitos séculos.
Como já referi anteriormente, reflexo do isolamento e da dureza da vida, os contos, crenças e mitos estão ainda muito vivos na Islândia e assim, durante todo o século XX as crianças da ilha eram atormentadas pela lenda pagã e sanguinária de um guerreiro vindo do mar que colocava 34 homens e mulheres sob a sua espada e que fazia mais de 200 escravos. Todos aqueles que tentavam fugir pelos rochedos eram abatidos como aves.
Mas a verdade, é que as catástrofes e dificuldades foram muitas para esta população de Heymaey. Por exemplo, em 1783 a erupção do vulcão Laki matou todos os peixes à volta das ilhas, fazendo com que os habitantes tivessem de viver alimentando-se de uma raiz de nome Hvönn e das sazonais aves marinhas. Uns anos mais tarde, uma tempestade no mar enviou mais de 50 homens para o fundo num só dia.
A cidade de Heymaey com as suas 100 traineiras coloridas, situa-se entre o porto e os 2 cones vulcânicos da ilha (Helgafeell e o mais recente, Eldfell).
As estradas da pequena ilha circundam a base da lava (onde ela parou), agora coberta por uma leve película de musgo verde.
Assim, num domingo poderão visitar as casas semi-enterradas na lava. A pacatez da ilha e os domingos desolados, farão lembrar-vos um filme de Bergman.
Uma das atracções de Heymaey é a pitoresca igreja com a estátua em homenagem aos pescadores desaparecidos no mar. Mas destaque-se também o organizado museu folk e a colecção de peixes islandeses no Museu Aquário de Historia Natural, onde poderão ver o horripilante peixe gato, com dentes iguais aos da piranha, um péssimo feitio e uma estranha expressão humana. Também as crateras vulcânicas, os lindíssimos penhascos pejados de puffins e outras aves marinhas e os rochedos com arcos no mar que nos deliciam nos passeios de barco (não raras vezes podemos avistar as orcas), farão da visita à ilha uma recordação para contar por muitos anos.
Como curiosidades poderei referir a baía Klettsvík, que foi durante muito tempo a casa da mais famosa orca do mundo. Falo de Keikó, a estrela do filme Free Willy.
Na ilha não falta a inevitável piscina ao ar livre de água geotermicamente aquecida (as piscinas na Islândia merecerão também um post futuro), o parque de campismo e o também inevitável campo de golf (muitos existem na Islândia).
Entre Junho e Setembro, no cinema local, tem o Vulcano show que nos retrata a batalha constante entre os islandeses e a natureza.
 
 Vídeo de divulgação e promoção do pequeno arquipélago de Vestmannaeyjar. Uma pena a péssima opção por uma previsível e sensaborona banda sonora, bem como o mau gosto da montagem do vídeo, onde não faltam sorrisos forçados e um atirar de aves em direcção ao horizonte utilizando crianças, num "pastiche" de imagens mais do que "dejá vu" e de analogia básica. Vale pelas filmagens do belo arquipélago que dão uma ideia do que podem ver em caso de uma futura viagem.
 
No primeiro fim-de-semana de Agosto em Vestmannaeyjar, na ilha de Heimaey acontece o Þjóðhátíð Festival que atrai boa parte da juventude islandesa. O festival foi originalmente concebido como a resposta dos habitantes das ilhas à impossibilidade de participarem nos festejos do 1000.º aniversário do povoamento da Islândia, organizando a sua própria celebração. O nome Þjóðhátíð significa "festival nacional", mas durante as primeiras sete décadas de realização foi um festival familiar, destinado aos habitantes locais O festival ganhou relevância nacional nas últimas décadas do século passado, assumindo-se como um rito de passagem para os jovens islandeses, envolvendo um grande consumo de álcool. Só quem vive na Islândia sabe a quantidade de bebidas alcoólicas que se consome durante o fim-de-semana numa cultura de beber rápido para ficar rapidamente bêbados. Mas as festas pagãs excessivas, regadas com muito álcool, sempre foram uma característica da cultura viking. Apenas não sei se será a melhor altura para visitar a ilha pois não imaginam o quanto agressivo pode ficar um islandês carregado de álcool. Se em culturas mais elaboradas existe um certo auto-controle, aqui, onde as pessoas são mais rudes e não tão “polite”, os excessos do fim-de-semana e das festas, acaba muitas vezes em pugilato entre amigos. O que vale, é que mesmo com o sobrolho negro e inchado, a amizade nunca fica afectada. No dia seguinte, estarão de novo abraçados e o “divertimento” terá novos capítulos na copofonia conjunta seguinte.
 

O Þjóðhátíð Festival que se realiza no primeiro fim de semana de Agosto na ilha de Heimaey, onde todos bebem até caír!

www.vestmannaeyjar.is

www.visitwestmanislands.com

www.eyjar.is

 

publicado por Ivo Gabriel - Iceland Views às 16:00
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